Sábado, Maio 10, 2008


escrito às 1:31 PM por giannetti





escrito às 12:28 PM por giannetti




Segunda-feira, Maio 05, 2008

ACORDA PRA CUSPIR

I wonder if any of you have an entrepreneurial spark. If you did, you’d realize that traditional print, TV and radio journalism are on life support. Stop talking about your honorable, noble mission as journalists for a second and wake up. You’re in dying business models.

escrito às 4:20 PM por giannetti




Quarta-feira, Abril 30, 2008

DO RAMO DE VÍRGULAS E TRAVESSÕES

If there were just one thing that I could teach all aspiring writers, it would be that despite lofty ideas of creating art or the firm belief that you “just write and let someone else worry about the rest,” the truth of the matter is that publishing is a business. Writing by itself can be a hobby or a lark, but once you cross the line into the realm of publishing, where you put your work out there in the hopes of selling it and seeing it on the shelves, you are talking bottom line, down and dirty business, with emotions and personalities put way back on that rear burner. And when you’re dealing with business, that means you need to learn to be a professional, even down to the simplest correspondence.

Domestique seu bicho.

escrito às 12:37 PM por giannetti




Segunda-feira, Abril 28, 2008

JORNALISMO DE INVENÇÃO

O pessoal do Jornal do Brasil descobriu enterrado em seus arquivos um curta dirigido por Nelson Pereira dos Santos sobre o JB, realizado em 1965, quando o cineasta ainda era copidesque do jornal.

O link para assistir ao filme é este.

***

E por falar em cinema; e por falar em jornalismo: por esses dias, coincidentemente um assunto tem andado em pauta em conversas que escuto por aí, e leio na web (numa lista de discussão de que participo, vejamos... desde que a internet era discada e eu ainda não havia dobrado a esquina dos 25 anos). Entre queixas de repórteres que acabam de se formar e procuram o primeiro emprego, e lamúrias das putas velhas de redação, dou meus dois centavos.

Tem repórter que é excelente ficcionista. Mas quem lê jornal não procura ficção. Exceto por uma ou outra crônica, o leitor das folhas procura mesmo é notícia e reportagem feita por quem sabe do que tá falando.

Matéria de "comportamento" é a seara mais fértil do jornalismo de invenção (termo emprestado do cinema de invenção, sem a originalidade deste no que representa), em moda hoje. Nesse caso a pauta surge de uma idéia pré-concebida, não de uma cena cultural existente; e aí o repórter sai à caça de um nicho no qual possa colar sua percepção pronta. Por exemplo: para escrever uma matéria sobre "noite", a boemia carioca etc., não é necessário freqüentá-la: basta colocar uns bêbados falando que tal boate é dez e barzinho tal é novemeio. Se não encontrar os "personagens" (acredite, isso é possível quando a pregui é grande e o pré-conceito muito diferente da realidade), é só inventá-los.

Todo repórter de caderno cultural e suas variáveis devia passar por alguns anos de estágio cobrindo geral, polícia, IML, esses bichos. Porta de delegacia. Porque aí, se inventar, ó.

***

Aproveito pra linkar a crônica do Ferreira Gullar, sobre como sua biografia tem sido enriquecida nos últimos 50 anos por invenções de jornalistas, amigos e conhecidos. Enjoy.



escrito às 8:31 PM por giannetti




Quinta-feira, Abril 24, 2008

[eu tô aqui, eu e uma pilha de realidades brigando com o necessário ócio e a procrastinação criativa. demoro, mas volto.]

escrito às 8:04 PM por giannetti




FOLHA DE S. PAULO

São Paulo, terça-feira, 08 de abril de 2008

CECILIA GIANNETTI

Ladrões de bicicleta

Os guris estavam armados com cacos de vidro; eles brincavam com um carrinho de madeira segundos antes

"TÔ COM UMA pistola aqui. Continua andando, me dá a carteira, me dá o celular, não pára, não olha pra trás." Quem paga pra ver? Não é o mais indicado. Aparvalhada com a abordagem repentina às 14h de domingo em Laranjeiras, entrego cada item exigido -pois o cara segura o que pode ser uma arma. (É uma pistola, ou uma embalagem de xampu muito esquisita). Ele está de bicicleta, última moda entre os assaltantes no Rio de Janeiro.

Quando nos abordou, parecia ser só um cara mal-educado pedindo passagem numa calçada estreita. Mas não demorou a fazer ameaças. Nada levou da minha amiga, embora ela estivesse à beira da calçada e de bolsa a tiracolo; de bicicleta eles devem assaltar sempre uma pessoa só de cada vez, levando apenas o que cabe nos bolsos. O alvo preferencial era eu, com essa cara de gringa que faz com que ambulantes na praia me ofereçam "bíer" R$ 2 mais cara até que eu abra a boca e diga qualquer coisa em carioquês.

O ladrão não queria fardo além de carteira e celular. E minha amiga já havia sido assaltada faz bem pouco tempo por dois travestis na rua Augusta, em São Paulo... quem sabe haja um código secreto entre bandidos -travestidos, ou não-, delimitador de um prazo, algo como um período de carência, que deve ser obedecido até que a pessoa de bem seja novamente liberada a novos assaltantes?

Mais tarde, na delegacia onde fizemos o boletim de ocorrência, o inspetor Fred nos mostrou uma pasta "cheia de vagabundo" [sic]. Ele catava milho no teclado barulhento de um computador velho enquanto olhávamos dezenas de fotos para tentar reconhecer o assaltante.

"Tá tudo por aí na rua, ó", explicou o inspetor. "A Justiça é fraca. Acha mais fácil deixar eles soltos. Falta de espaço nas prisões". Nas páginas do álbum de figurinhas macabro havia crianças ("As vezes nem é menor, só parece. Subnutrição"), adultos, homens e mulheres. Gente de todo o tipo. Gente cujo rosto não me inspiraria qualquer desconfiança se não estivesse ali, fichado. E não falo somente de ladrões de bicicleta.

Fora do álbum, ainda não registradas, centenas que saem por aí brandindo revólveres e cacos de vidro como meio de vida, por escolha ou necessidade. Cacos de vidro, moda mais antiga que a das bicicletas. Dois dias depois, escapei de um approach feito com meia garrafa quebrada de refrigerante, no centro da cidade. Neste caso, o assalto do domingo serviu pra alguma coisa: a paranóia me indicou que era melhor correr quando um trio se aproximou de mim na calçada. Consegui atravessar a rua ilesa e entrar num boteco, de onde vi o casal de desconhecidos que caminhava ao meu lado ser atacado. Os guris estavam armados com cacos de vidro. Eram crianças, com um adolescente no comando; estavam brincando com um carrinho de madeira segundos antes de partirem pro ataque.

Só não digo que está tudo perdido no Rio por conta da noite anterior ao assalto: eu havia subido a Tavares Bastos, no Catete, para assistir a um show d'Os Subterrâneos no The Maze Inn, hotel na favela que aos sábados costuma ter bandas indies e jazz de primeira. Antes de o som começar, dei umas voltas pelas ruelas do morro, tomei cerveja e fiquei embasbacada com a vista lá de cima. Depois do show, uma Kombi levou a mim e meus amigos, de graça, até a rua do Catete, e caminhamos pelo bairro até encontrar um restaurante aberto. Tudo na paz.

escrito às 8:00 PM por giannetti




Segunda-feira, Março 31, 2008

FOLHA DE S. PAULO

O fim da picada

São Paulo, terça-feira, 25 de março de 2008

CECILIA GIANNETTI

A secretária sempre acha graça quando troco, religiosamente, meu dispositivo anti-mosquito na tomada da parede. Já tive dengue não uma, mas duas vezes. Meus pais também, ao mesmo tempo que eu, na minha estréia naquele mal que transforma o doente em zumbi. Hoje temo a versão hemorrágica do pesadelo. Pavor infundado? Responda-me depois que tiver passado por um ou dois episódios de dengue - se sobreviver a eles.


Em meio à epidemia que varre a cidade, achei que deveria contar ao menos este particular a vocês. Os leitores não sabem muito sobre a maior parte das pessoas que se lhe dirigem nos jornais e revistas. Como se quem escreve as notícias não as viva vez em quando.


No meu caso, prefiro que as coisas continuem mesmo deste jeito: vocês aí conhecendo só parte do meu longo rosário de reclamações sobre cidades inchadas, não-cidadãos e des-governos, que desfio em crônicas quinzenais nesta Folha. E eu sabendo de vocês apenas o que me chega via e-mail. Cria-se assim um pacífico convívio virtual.


Pacífico desde que eu não me meta a falar do aparente epicentro da urbanidade contemporânea, o shopping center. Em dezembro passado quase fui linchada em praça (de alimentação) pública por ter escrito a respeito do comportamento aloprado dos consumidores durante a semana que precede a troca de presentes no Natal. Esqueçamos tal tabu agora, pois, neste trópico, o Natal só chega no verão. E ainda estamos no começo do outono.


Outono my ass!, fala a amiga japonesa-novaiorquina Kumiko, que acaba de desembarcar de mala-e-cuia no Rio. Já aprendeu três coisas essenciais sobre este não-lugar: 1) Que todo carioca vai repetir seu nome no diminutivo e rir toda vez que o fizer. 2) Que nosso outono é de mentira, assim como as políticas de prevenção e contenção da epidemia de dengue que ajuda a castigar mais ainda os já tão caquerados moradores desta cidade. 3) Que deve ter medo. Muito medo. Pois, como dizia Hunter Thompson, não existe paranóia. E como diria ainda outro gênio, Tim Maia, existe a percepnóia.


Fazer o quê? Kumiko quer ser boêmia da Lapa, gata do Posto 9, flor do subúrbio.


Ao final da tarde, 35 graus; à noite, 30. A questão já não é se está quente ou frio. Porém que, quanto mais duram as altas temperaturas, mais tempo têm para crescer os números de casos de dengue registrados (e os não registrados também).


Tudo isso vocês já sabem. Estão em toda parte os números da doença que há muito já deveria ter desaparecido. Vocês já leram que devem ter ocorrido não 47 casos de morte por dengue no Rio em 2008, mas o dobro disso; que são reportados mais de 50 casos por hora somente na cidade. As fotos que aparecem junto a notícias sobre dengue sugerem que em torno de shoppings não há os mosquitos-de-risco. Que as bromélias de um hotel em Copacabana ou poças de água inerte no Arpoador não são perigosas. Mas o mosquito está em qualquer rua, onde circulam professores, advogados, garçons, enfermeiras, garis, publicitários – e até jornalistas; quem disse que vaso ruim não quebra?


Gostaria que estivéssemos num tempo em que alguém pudesse me acusar de alarmista. Antes fosse exagero meu, e não abandono. Abandono é novamente a palavra que define esta velha-nova estação, em que sequer a temperatura mudou; que dirá a lentidão das autoridades a lidar com a epidemia que já fez neste ano mais de 20 mil doentes só na capital.


Haja repelente, Kumiko!



escrito às 7:25 PM por giannetti




Quarta-feira, Março 12, 2008

FOLHA DE S. PAULO

Meninismo

São Paulo, terça-feira, 11 de março de 2008

CECILIA GIANNETTI



O meninismo sempre existiu como o lado doméstico, escondido e até mesmo lúdico do machismo

"TÁ CADA VEZ mais fácil ser homem", dizia com desdém de cuspe, e depois mandava o "rerere" grave emprestado dos velhos da última geração de boêmios cariocas. Aí repetia a sentença, afogando as sílabas finais da pretendida afronta num gole que matava 300 ml de chope. Eu não dava bola à provocação embutida na fanfarra do palestrante. A amizade entre sexos opostos demanda certo grau de surdez voluntária para que desentendimentos sejam evitados.

Estava longe de ser das coisas mais irritantes que o amigo -agora desaparecido- costumava dizer. A explicação que engrenava após a frase de efeito ("Tem mulher demais no mundo! Desesperadas! Sem filtro! Engolem qualquer porcaria!" etc.) não chegava a ser a sua contribuição menos graciosa a uma conversa de bar em que havia -comprovando, em alguma instância, sua precária tese- mais mulheres do que homens. Nem mesmo podia ser considerada uma postura machista. Tal pecha já caducou.

Impossível encaixá-la -sem forçar a barra- em qualquer padrão de comportamento vigente desde o final do século passado; não serve para qualificar as teorias e piadas do meu amigo desaparecido. E não foi só ele que sumiu. O próprio machismo tem estado ausente. Ou assumiu outras formas: como o meninismo, por exemplo, que de inédito nada tem.




O meninismo sempre existiu, por baixo de pêlos viris e ternos bem ou malcortados, como o lado doméstico, escondido e até lúdico do machismo. Bem traduzido no tom imperativo com que o homem-menino da casa pergunta se a sua refeição ou a roupa está pronta, entre outras questões práticas que cabem à governanta, secretária, faxineira, mãe e amante de cada moleque. Ao menos é assim que ouço falarem de seus ex-maridos uma e outra amiga descasadas.

Há ainda o depoimento da vizinha gay que, separada da mulher, notou que suas roupas já não flanavam elegantemente, sozinhas, da máquina de lavar ao varal e do varal até que se recolhessem ao armário. Mas que alguém deveria lavá-las e levá-las de um canto ao outro. Na ausência da ex-mulher -que sempre cuidara de tudo enquanto ela trabalhava no escritório, longe da área de serviço-, quem teria de assumir as tarefas domésticas era ela mesma. O que não foi capaz de fazer ainda, enfraquecendo assim argumentos sexistas que nunca foram lá grande coisa.

Neste mês das mulheres, coincidentemente, faz quatro semanas o sumiço do frasista em questão (meu amigo meninista, autor do clássico pensamento alcoolizado: "Tá cada vez mais fácil ser homem"). Por isso lembrei do repertório moderno de vantagens masculinas das quais ele se gabava -não por machismo, mas por saudades do tempo em que ser machista ainda significava alguma coisa. Ainda que fosse apenas chamar a Betty Friedan de "sapatão".

Mas onde se enfiou esse meu amigo gaiato, menino de 11 anos em corpo de 30, com suas verdades masculinas supostamente inapeláveis, que sem querer transformava em piadas? Dedico-lhe uma anedota, para não perder o hábito:

Pane de homem não se dá durante o vôo, mas quando ele se vê obrigado a pôr os pés no chão. Se, por outro lado, consegue voar, vai embora feito folha de papel solta, Guido em 8 e 1/2, cada vez mais alto. As letras que formam seu nome despencam entre Paris e Madri, desabam como chuva sobre capitais frias as páginas de sua história pregressa, de quando teve chão. E agora, onde pousar, renascerá menino.

escrito às 4:17 AM por giannetti




Terça-feira, Março 11, 2008

the mind slave of the tongue

escrito às 4:18 AM por giannetti