lugares.que.nao.conheço.pessoas.que.nunca.fui
27.4.04

DOZE

Lendo pra resenhar Doze, de Nick McDonnel. O problema dos novos autores, muitas vezes, é só a crítica. Observe que merda:

Do New York Times: "Nick McDonnel revela um visceral talento narrativo. É um observador elegante com um ouvido agudo para o modo de falar dos adolescentes. Neste romance de estréia, constrói uma narrativa tão rápida como anfetamina e tão mordaz quanto o LSD".

Você pode chamar uma droga como o LSD de qualquer coisa, qualquer adjetivo que quiser, mas "mordaz" não cola. Dá pra sacar que quem escreveu isso aí não tem a menor idéia do que está falando e o mínimo que se pode exigir de alguém que compara uma coisa à outra é que conheça ambas.

Por falar em comparação, o caminho mais fácil pra tratar de um livro como Doze é dizer que o autor é o Salinger ("captar a voz rebelde de uma geração" - Newsweek) e/ou o Scott Fitzgerald (também já vi essa, não me lembro onde, mas deve ser porque o garoto, assim como Fitzgerald em seu tempo, é rico e bonito). E daí você vai pra um livro que nada tem a ver com O apanhador no campo de centeio ou Suave é a noite e se decepciona. Claro: porque não é pra ser nem uma coisa nem outra.

O segundo jeito mais fácil de tratar desse livro é o primeiro jeito mais fácil de deixar de se interessar por qualquer outra coisa: o bocejo por antecipação, dizer que Doze é mais um desses relatos da adolescência fodida norte-americana nos dias de hoje. E aí qualquer dia a mesma coisa poderá ser dita de qualquer livro não-lido: "ah, não, mais um livro sobre (citar definição da orelha)."

E com isso eu não quero dizer que Doze é bom ou ruim. Com isso quero dizer que estou lendo, apesar das críticas exageradas do New York Times, da Newsweek e outros.

escrito às 8:33 AM por giannetti




22.4.04

SINAIS

"We're freaks, that's all. Those two bastards got us nice and early and made us into freaks with freakish standards, that's all. We're the Tattooed Lady, and we're never going to have a minute's peace, the rest of our lives, till everybody else is tattooed, too." - Franny & Zooey.

"He won't take his bathrobe off? Why not?"

"I don't know. I guess because he's so pale."

"My goodness, he needs the sun. Can't you make him?

"You know Seymour," said the girl, and crossed her legs again. "He says he doesn't want a lot of fools looking at his tattoo."

"He doesn't have any tattoo! Did he get one in the Army?"

"No, Mother. No, dear," said the girl, and stood up. "Listen, I'll call you tomorrow, maybe."
- Um dia perfeito para os peixes-banana.

escrito às 8:36 AM por giannetti




O GOSTO DO NÃO-FERIADO

I want some fun - Jay Jay Johanson. O melhor cantor calhorda dos últimos... cinco minutos.


escrito às 8:27 AM por giannetti




20.4.04

AH, M.D., D.M.

Sua mão gastou vários palitos até que a chama iluminasse uma cara de boneca cuja cêra derretera-se em crostas, arremedo de superfície lunar, forrada de bolhas e crateras profundas (...) tentava levantar-se, mas desabou pesadamente no banco, tonto, atraído pelas garras vermelhas que deslizavam em seu peito, puxavam-lhe os pêlos, puxando-o para si, rendido ao aperto cego sem resistência, nesse buraco do tempo onde as línguas famintas costumam penetrar. necessárias como a noite. Tampando o escuro cu do mundo.

Ela pediu um gim tônica e uma cerveja. Fiquei no martini e na cerveja só porque eu sou uma franga e ela é Márcia Denser, 50 anos, num boteco da Aclimação ou outro bairro que não lembro o nome, em São Paulo, onde ela vive. Conforme me contava que nunca anotava nada quando trabalhava pra Folha de São Paulo, eu também deixava o bloco e a caneta quietos dentro da bolsa, cuidava melhor do copo, dos cigarros, da gordura na toalha plástica sobre a mesa. Ficamos lá até bem tarde, muitas misturas depois é que tive que ir, dia seguinte tinha trampos naquela feira.

O negócio é que é preciso ignorar a propaganda feita pelos amigos e críticos da Denser, gostar do que ela escreve apesar do que escrevem sobre ela. Ela é muito mais poderosa que um punhado de adjetivos ecoando dos anos 80, ela vale mais que as resenhas positivas do Paulo Francis, que o título de musa dark - os adjetivos ficam passe, o que ela escreveu, não.

***

O papo no bar tinha Luís Paulo Faccioli e Cíntia Moscovitz, única mulher da coletânea "Transgressores" (Boitempo) que estava cobrindo a Bienal pro Zero Hora. Por uma graça concedida pela organização da feira, estavam hospedados no mesmo hotel que eu. Tinha ainda, de Floripa, D., 20 anos, em SP pros primeiros afazeres de estágio em jornal e acabou batizada numa mesa com a Denser.

escrito às 9:45 AM por giannetti




15.4.04

BIENAL DO RIO É MUITO MAIS CARNAVAL

É muito mais mães gordas arrastando cria pelo braço em praça de alimentação lotada, muito mais fila pro banheiro e pras palestras, muito mais expositor puxando nóis pra falar de lançamento, é muito mais ator de teatro infantil lendo pra crianças entendiadas e adultos pervertidos, é muito mais, entende?

Cheguei e dei uma circulada depois de o Lula receber das mãos do Maurício de Souza a cópia do livro que ele cometeu com o Paulo Coelho, infantil. Acho que esse ano criança tá com tudo! É hora de investir nelas, elas são o nosso futuro! O Nick McDonell, por exemplo, tem 20 aninhos e vem aqui lançar o romance que ele escreveu aos 17 sobre zéguizo&doRgas&roquenrou em NY! E está sendo comparado ao Fitzgerald e ao Salinger! Dá um google no rapaz pra sacar o naipe dele! (Cecilia, pró-releases superlativos e exclamatórios)!

Agora a coluna social: A Antônia Pellegrino tá aqui com o Xico Sá, que lança livro; O Christiano vai lançar o dele domingo na Livraria da Travessa no Rio, mas promete varejar um exemplar no sábado da lage da casa do editor de uma revista literária paulistana que oferecerá churrasco pros escritores, todos notórios mortos de fome.

A coisa boa é que eu trouxe um livro preto e fiquei rabiscando muito nele até apagar no meu quarto. O negócio com esses rascunhos é que ali eu escrevendo sem pensar em ninguém, nem no próprio livro. É um auto-engano eficaz, ou um jeito de fazer o processo de trouxa, ainda não decidi. Mesmo que eu use tudo depois, consigo o que quero: escrever sem trava.

escrito às 5:36 PM por giannetti




14.4.04

BIENAL

A Cris não pôde, a Paula não pôde e aí eu vou: chego amanhã em São Paulo pra cobrir a Bienal do Livro. O conto pra revista fica piscando pra mim inacabado na tela. Consigo terminar lá? Alguém vai me emprestar um computador amigo pra eu tentar ou vai ser na munheca mesmo, no bloquinho? Vou ficar num hell hotel na Vila Mariana mas tem um dia em que o voucher (francês para "de grátis") de hotel acaba e eu vou ficar na rua. Me acolham, serve um sofá.

escrito às 8:02 PM por giannetti




11.4.04

WORK IN PROGRESS

Meu texto Carta aberta está na nova edição da Paralelos.

escrito às 11:09 PM por giannetti




9.4.04

NINGUÉM GOSTA DE UM ESCRITOR COM BLOQUEIO

Nada de auto-piedade, gentalha, NO MORE FEAR OF DA BLANK PAGE! Mas parece que o público nutre ainda menos simpatia pelo writer´s block que os próprios escritores. Manja a matéria do Guardian.

escrito às 6:03 PM por giannetti




COMO O ESCREVESCREVE TOMA TEMPO DO BLÉIN BLÉIN

Ou Porque Não Tenho Feito Shows com o casino.

Disseram por aí que a banda acabou. Acabou porra nenhuma. Mas se eu não vou nem em casa (imenso parágrafo elucidativo e auto-referencial: quando digo casa, é a casa da progenitora da artista aqui e não a caverna que divido com livros, um computador e a ocasional francesinha; quando digo francesinha, significa "barata pequena comum em copacabana", não uma exótica estudante de intercâmbio parisiense circulando pelo meu apartamento) desde o final do ano passado por falta de tempo, por que eu teria tempo pra peruar por aí num ônibus fazendo show? Canto, toco, escrevo música, como sempre fiz, só não tô mostrando.

Claro, a Patti Smith. Mas ela trabalhava em revista - e de rock - coisa mais tranqüila. A redação da Rolling Stone estava cheia de drogados, enquanto aqui somos uma equipe reduzidíssima. (Perceba a fineza da ironia). Trabalhar em jornal toma o dia inteiro, das 8h ou 9h da manhã às 19h ou 20h num dia normal e até a madrugada nos dias de pescoção. Trabalhar em jornal e escrever nas horas chamadas "vagas" quer dizer que a sua vida social não passa dos 15 minutos em companhia dos outros passageiros do metrô ou dos cinco minutos engolindo um salgado na Confeitaria Colombo. Além dos frilas que peguei (uma pesquisa para um livro sobre samba do Aldir Blanc e matérias por aí), tem meu livro e um conto pra versão impressa da revista Paralelos. Ainda que eu estivesse escrevendo um gibi ou fanzine de cinco páginas, faltaria tempo pra ensaiar toda semana e sair por aí num ônibus pra tocar noutra cidade ou no Ballruim, que seja. Por exemplo: hoje, feriado, ´tamos todos aqui no jornal.

Não reclamo, explico porque perguntam.


***

O conto pra revista: tenho duas histórias; uma epistolar (me sinto sofisticada e casual, camisa com jacarezinho bordado no peito) e outra, uél, não epistolar. Tá bom assim?

escrito às 5:53 PM por giannetti




COMO OS BLOGS ESTÃO DESTRUINDO A VIDA DA EDITORA DE UMA REVISTA LITERÁRIA

Ou O Terrível Novo Sistema de Castas Virtual, por Whitney Pastorek, no Village Voice.


escrito às 5:35 PM por giannetti




7.4.04

A VÉIA DIZ

"(...) riding the tail of a comet in a media starscape of explosive but evanescent images." - Camille Paglia.

escrito às 1:06 PM por giannetti




5.4.04



OS MELHORES BANHEIROS DA CIDADE

Mijar uma vez no banheiro masculino da Polícia Federal pode ser comum. Mas duas vezes num mesmo dia, isso me dá uma espécie de susto - olha eu aqui de novo, essas paredes, essa pia-pra-pau amarelada - o acaso de apenas e tão somente o masculino (e a masculinidade era PATENTE) estar disponível. Aí eu peço averigüação. Intervenção divina. Oh Lord won´t you buy me...? Please please, please.

***

Mas que....



ESCREVEDOR

O livro vai bem, obrigada. Mas não é miojo.
TAÍ

Mudei de editora.

A Cecília Giannetti, por exemplo, apesar de já conhecê-la, já fui professor dela, foi lendo as coisas do blog dela é que vi que dava para trabalhar algo legal, e está saindo, inclusive ela está saindo da Planeta para a Ediouro - Paulo Roberto Pires, da Ediouro, na Paralelos.

Aí o Jaimão pergunta:

Você falou da Cecília. A quantas anda o livro?

Ela está trabalhando, tá fazendo. Acho que ela é um bom exemplo disso que eu acabei de dizer. É ficar prestando atenção ao que está em volta. Acho que isso é uma das coisas. Não se faz uma editora só assim, mas pode ser também uma preocupação do editor.

A quantas anda este meu livro? Quando mostrei (não via blog, pois o blog não é o livro) no ano passado, era uma história de vetores, não circular. Agora, vai se fechando.



DIÁRIO DE UM SARAMAGO

Minha matéria com o escritor português José Saramago está hoje na capa do Caderno B do Jornal do Brasil. Vocês vão comprar o jornal? Seria bacana. Tô muito feliz por ter feito esta, quase tanto quanto pela do Nomínimo com o Paulo César Peréio. E emplacar as duas assim na mesma semana é coisa pra comemorar, o que eu faria, se não estivesse de plantão amanhã. Hoje tiro o dia pra escrever, o dia todinho só pra mim, uniforme-de-aposentada (aka camisola velha) e o devido suprimento de cigarro e mate diet, coca light e tudo mais que tenha cafeína.

O conselho literário que o Saramago me deu é um conselho contra a cegueira:

O mundo é vasto e complexo, não falta aí por onde escolher. Alexandre O´Neill, que, além de admirável poeta, foi um espírito cáustico, dava a alguém que se iniciava na escrita o seguinte conselho: "Não contes a vidinha". Era como se dissesse: "As nossas vidas, no fim de contas, não são mais que vidinhas, procura algo que seja maior que tu e depois põe-te a escrever". - José Saramago.

Ok, Zé, tentaremos deixar o rame-rame apenas por aqui. Mas compreenda: o senhor tem 82 anos e aqui na Firma ainda gritamos que nem crianças o nome da liberdade ou vasto mundo quando o vemos.

Por outro lado, ele me disse que sim, continua acreditando que toda escrita é narcísica e não, não se arrepende de uma linha sequer dos cinco volumes de seus diários.

escrito às 11:59 PM por giannetti





toby smith, tribeca (não que isto importe,
estamos sem flash)

escrito às 11:58 PM por giannetti





molecada jogando bola no central park,
e eu na janela do metropolitam museum

escrito às 11:46 PM por giannetti





"auto-retrato com câmera emprestada",
obra recém-adquirida pelo met

escrito às 11:38 PM por giannetti





museu de esculturas em washington d.c., próximo ao capitólio (ai ai ai gore vidal)

escrito às 11:28 PM por giannetti





escrito às 11:25 PM por giannetti





escrito às 11:22 PM por giannetti





turistagem: fui no algonquin, tomei um goró na mesinha redonda e escapei pro elevador. desci por acaso no 5o. andar e achei a plaquinha.

escrito às 10:20 PM por giannetti




MISSIONÁRIOS

Estou com um gosto ruim na boca, até agora, que eu não queria ligar ao que aconteceu à tarde mas não tem outro jeito, parece. Eu estava escrevendo outras coisas quando me mandaram parar e ligar atrás dos Missionários: "é uma banda de presidiários, vai ver onde eles ´tão e entrevista". Liguei pra penitenciária, três números diferentes e todos ocupados, até acertar alguém que soubesse me dizer onde os condenados tinham ido gravar seu primeiro CD. Desci, catei um fotógrafo e um carro e fui pro estúdio Hanoi, do Arnaldo Brandão, em Botafogo. Era lá.

Nâo era gospel, coisa de BRock. O guitarrista era um moreno com olhos escuros muito redondos, minha idade, preso há quase dez anos. Perguntei a ele o motivo, ele respondeu homicídio. Mas me pareceu tão difícil. A produtora, que chegou na cadeia como uma espécie de assistente social e virou aliada no convívio, ajudando a banda a sair para três shows e esta gravação, me garante que ele é inocente. O vocalista, aí não, assalto mesmo. O baixista em regime semi-aberto e o baterista não é preso. "Ainda não", ela brincou. Eles vão acompanhados de escolta pro estúdio, algemados.

É difícil, a iniciativa não é comum e não é aceita ou incentivada em qualquer presídio. Ela diz que música ou qualquer outra atividade artística na penitenciária é importante pra quem está do lado de fora. "O que o sistema carcerário esquece é que vai devolver eles pra sociedade."

escrito às 8:57 PM por giannetti




FÉ NO ACASO, NÃO NO DESTINO

A matéria que eu fiz com o Cunningham saiu ontem. Ele é conhecido pelas chance operations, que desenvolveu com John Cage: escolher seqüências na base da sorte, com resultados, além de surpreendentes, precisos. Trechinho aí embaixo e completa aqui.

Movimentos que dependem do acaso do rolar de dados e moedas; gestos testados em protótipos no computador; trilhas sonoras iconoclastas, variando entre John Cage e improvisos do quarteto islandês de post-rock Sigur Rós ou dos ingleses do Radiohead. O visual? Os cenários podem trazer desde animações projetadas sobre o palco, geradas por softwares que captam a movimentação dos dançarinos, até a pop art de Robert Rauschenberg, Andy Warhol, Frank Stella, Robert Morris, Willem De Kooning e Jasper Johns. Quem não conhece a Merce Cunningham Dance Company (MCDC) poderia jurar que ela é gerida por um jovem coreógrafo antenadinho.

De fato, Merce Cunningham não parou no tempo: aos 84 anos, o ex-aluno e solista de Martha Graham, que em julho trará sua companhia ao Brasil, ainda é sinônimo de vanguarda da dança. Há 50 anos à frente do grupo de 14 bailarinos (sete mulheres e sete homens), ele já não dança, mas ainda é capaz de surpreender platéias exigentes.

escrito às 12:47 AM por giannetti




4.4.04

COISAS SIMPLES COMO UM JOGO DE FUTEBOL COM A SUA CABEÇA E UM CHURRASCO DE LÍNGUA

Estou de volta mas o campo encolheu, as traves tornaram-se móveis, não sei quem está no meu time. O juiz desapareceu, o treinador fica sentado no banco sem mandar sinais. Tem um ponto de interrogação bordado no boné.

***

É um erro falar de como eu escrevo ou em que parte do meu livro estou e como pretendo retomar ou se já retomei depois da viagem. É isso, estou escrevendo um livro. O fato de falar nele cria expectativas ou a tentadora idéia de que, como Joe Gould, enterrei um manuscrito inexistente num quintal em Niterói (que talvez seja equivalente a Nova Jersey e não Long Island, mas serve aos propósitos bárbaros de uma crônica escrita às pressas).

Joe Gould rodou Nova Iorque colhendo a História Oral para um livro com nove milhões de palavras que não chegou a escrever. Ele dizia a todos que contribuíam para o Fundo Monetário Joe Gould, incluindo seu "biógrafo", o jornalista literário Joe Mitchell, que havia enterrado toda a tranqueira, os caderninhos em que anotava, no sítio de uma amiga em Long Island.

Mitchell, que escrevia para a New Yorker, não teve a chance de escolher. O que parece é que ele foi escolhido pela história de Joe Gould para contá-la. Depois que começou o texto sobre o velho graduado em Harvard que dormia na rua agarrado a um monte de papéis (notas confessionais sobre a sua infância e nada além disso, nada que lembrasse a pomposa História Oral do Mundo), Mitchell continuou comparecendo todos os dias, durante 20 anos, ao seu escritório na revista criada por Harold Ross. Mas nunca mais mudou de assunto: a história de Joe Gould foi a última coisa que escreveu.

***

Freqüentemente eu cometo o erro, comento meu livro. Cheguei a mandar pedaços do texto como se eu tivesse cortado a língua em cima da pia com uma faca de churrasco e esperado que os destinatários não fossem vegetarianos, como é a moda esses dias. Noutras eu pedi que lessem, e acabei convencida de que eu tinha embrulhado no papel carne podre e não podia querer outra coisa além de costas viradas. Não me escrevem de volta porque os dedos estão ocupados tapando o nariz. Sem espelho nem eco, avanço e encho a história esperando sempre que sejam mais que palavras o que eu coloco nela.

escrito às 10:49 PM por giannetti




3.4.04

FRIO BRAGARAI


spring my ass!

escrito às 11:37 AM por giannetti




1.4.04

SAD

Stands for Seasonal Affective Disorder. É quando o mau tempo deixa nêgo deprê. Ouvi dizer que também acontece nos trópicos, debaixo do maior solzão.

A imagem aí poderia ser qualquer grocery na Avenue D, no East Village, mas é especial: a porta azul ao lado dela é da casa da Thabata e Nicholas. É? (Se não for, passa a ser, isso é acuidade literária - vale a ficção da memória). Para todos os efeitos, é onde fiquei depois de sair do hotel em Tribeca na... terça? É fácil perder noção do tempo lá.

***

Na volta, no táxi, liguei pra redação e descobri que devia ir pra lá direto do aeroporto. A mala não passaria pelo vão da escada rolante do prédio do jornal, então consegui ir em casa pra deixar a coisarada. Apareci com a mesma roupa de ontem e cara de zumbi jetlagueado pós mais de dez horas de vôo e algumas de sala de espera.

..................... Com tão pouca grana a única coisa boa de verdade que comprei foi o DVD de Lost in translation, versão pós-tudo para Casablanca.

***

Já tenho tema pro conto da revista.

escrito às 10:34 PM por giannetti





escrevescreve

ANOTAÇÕES QUASE DIÁRIAS SOBRE LIVRO QUASE PRONTO SEMELHANÇA QUALQUER
MERA COINCIDÊNCIA















diz que
bravo!

globo - prosa e verso 1
globo - prosa e verso 2
quem
jb - idéias 1
jb - idéias 2
portal literal
globo - megazine
jornal do brasil



não-ficção [?]
jornal/revista/site

contato

contato
concentre-se@telepatia.com



f.a.q.