lugares.que.nao.conheço.pessoas.que.nunca.fui
30.6.05


escrito às 12:51 PM por giannetti




FRILA

O Observatório da Imprensa afirma que ser frila é viver a Vida Fodona.

escrito às 12:46 PM por giannetti




29.6.05

DE OLHOS ESBUGALHADOS

É bom ter motivos pra virar a noite e não apagar durante o dia - um frila bem pago, um texto que eu não jogue na lixeira do micro e coisas do gênero alegria alegria - mas os motivos não devem ser os vizinhos do andar de cima. Acordam às 5h [ouço o despertador] e decidem jogar boliche ou praticar sapateado [nas quatro patas de seu fox terrier prodígio charlie angel devem ter atochado mini ferraduras]. Até as 8h são esses os ruídos que vêm do alto.

O zelador também acha que pode aloprar na madruga. No pátio colado à minha janela, às 6h começa a lavar as lixerias cor-de-abóbora gritante do prédio com a mangueira [o barulho dos jatos de água no plástico] rádio ligado e conversa com porteiro.

Eu vou virar a pessoa que bate com o cabo da vassoura no teto do apartamento. Eu vou virar a pessoa que joga água pela janela [com balde e tudo].

Já cheguei a ficar mais de 48h virada em junho. Acho que estou passando de novo por isso. Minhas olheiras estão fazendo aniversário. Mas vou estar mais tarde no Odeon para a inauguração da nova Livraria Dantes, botando som ao lado da Antonia Pellegrino e do JP Cuenca.

[cafeína]

escrito às 7:55 AM por giannetti




17.6.05

UM ESQUECIMENTO AZUL DA PÁGINA 26

Beijar o gato entre as orelhas é uma forma de solidão. Lavar a louça às três da manhã, apreciar muito a própria letra, ouvir a brasa comer o papel do fumo no silêncio também. Acreditar nas estrelas que passam com mais pressa. Deitar sozinho. Às vezes deitar acompanhado também. Ter um casaco de lá cinza-escuro que não lava há dois invernos. Acompanhar seriado (americano). Achar-se inadequado e esquecido ou achar-se bom demais pros outros. Possuir neste vasto mundo apenas um cabideiro. Beber destilado em copo plástico, esquecer o aniversário da amiga. (...) Telefonar a cobrar de um orelhão na chuva para outra cidade. Chamar o garçom pelo nome e ser chamado pelo nome por ele. Concordar que o rock morreu. Escrever sem expectativas, confiar no conselho da manicure, escrever cartas, não enviar cartas. Às vezes mesmo enviá-las é uma forma de solidão. (...)

Se gostou, tá .

escrito às 10:34 PM por giannetti




16.6.05

BRENO!

A amiga Kamille mandou essa mensagem e eu recomendo que leiam e espalhem. (E se liga, editoria de esportes: a história do cara é foda, tá na hora de fazerem uma matéria.)

Meu irmão mais novo, o Breno, tem 24 anos e luta judô. Mais do que isso: o Breno é faixa-preta. O primeiro faixa-preta de judô com Síndrome de Down das Américas. Um dos seis únicos do mundo. O Breno treina de segunda a sexta, um treino superpesado, fora a musculação. Por isso mesmo, quando participou de sua primeira competição internacional, no ano passado (em Clacton, Inglaterra), deixou os organizadores impressionados com sua técnica e coordenação motora. Ele luta na categoria "good judoka", pra lutadores com 80 a 100% da capacidade motora. E venceu o torneio.

Desde Sidney, os deficientes mentais estão fora das Paraolimpíadas. Mas acontecem, todo ano, diversas competições importantes, dos mais diversos esportes, dedicadas a eles. Por ter ido tão bem em Clacton, o Breno inclui o Brasil no calendário internacional de campeonatos de judô para deficientes mentais e passou a receber diversos convites. A primeira competição seria no fim de maio, em Bradley, Inglaterra. Infelizmente, ele não conseguiu patrocínio a tempo e não foi.

Outras estão previstas. De confirmado, uma novamente em Clacton, em setembro. Seguimos procurando patrocínio pra ele. Resolvi pedir a amigos e conhecidos pra me ajudarem a divulgar, seja por email, publicando em blog, o que for. Quem puder ajudar ou tiver alguma idéia, por favor entre em contato pelo brenoviola@yahoo.com.br.

Só isso bastaria pra eu morrer de orgulho do Breno. Mas, além de tudo, ele é um cara muito legal. Provavelmente a pessoa mais legal que eu conheço. Dedicado, esforçado, persistente. Merece conquistar muito ainda.

escrito às 8:31 PM por giannetti




DIÁRIO DE ANDRÉS FAVA

- O senhor, que escrevia tão bem... - me dizia uma senhora.

(...) Sensação de liberdade, de jogo limpo, de não convencimento retórico, de demonstração e não de descrição.

escrito às 8:44 AM por giannetti




(fotos umbiguistas não serão deletadas.)

escrito às 8:16 AM por giannetti




15.6.05

TÔ DE OLHO NO SINHÔ


(eu sei que o texto tá bom mas quero que você diga!

escrito às 7:51 PM por giannetti




ACHADOS E PERDIDOS

Deixe-me ir, preciso andar, vou por aí a procurar, rir pra não chorar, quero assistir o sol nascer, ver as águas dos rios correr, ouvir o pássaros cantar, eu quero nascer quero viver... Deixe-me ir, preciso andar, vou por aí a procurar, rir pra não chorar, se alguém lhe perguntar, diga que eu só vou voltar depois que eu me encontrar... Quero assistir o sol nascer, ver as águas dos rios correr, ouvir o pássaros cantar, eu quero nascer, quero viver... Deixe-me ir, preciso andar, vou por aí a procurar, rir pra não chorar.

escrito às 6:52 AM por giannetti




E MAIS

Vai rolar lançamento de "Dentro de um livro" também em São Paulo. Aguardem notícias.

escrito às 6:50 AM por giannetti




MAIS LANÇAMENTO


christiano menezes, que assina as capas
e projetos gráficos de "Dentro de um livro",
"Prosas cariocas", "Geografia carioca
do samba", "Rio Botequim"...



joão paulo cuenca observa uma dedicatória
comprida demais.

escrito às 6:19 AM por giannetti




Cêis gostam mesmo é de ver figura.

escrito às 5:58 AM por giannetti




14.6.05

DENTRO DE UM LIVRO

[o livrinho]



[o lançamento]


eu, pedro sussekind e antonia pellegrino,

rabiscando livro dosotro na argumento



mais tarde, na sala de justiça

escrito às 9:14 AM por giannetti




This speech I have, of course, invented for you out of my own head - another trick which living underground has taught me. You must remember that, for forty years I, through a chink, have been listening to the kind of stuff which you usually utter. Yes, I have been listening to it, and thinking it over, until it is no great marvel that I have learnt it all by heart, and can set it down in more or less literary form.

(preguiça de traduzir do inglês. e em russo não rolou. mas isso já diz).

escrito às 12:29 AM por giannetti




11.6.05

O DEDO É A MENSAGEM

Venho recebendo advertências de Uganda e Moçambique a respeito da maneira como eu teclo. Uso os indicadores para escrever e, por não distribuir o trabalho entre os outros dedos, imprimo força demais ao toque. Aparentemente, o barulho que faço nas teclas tem atrapalhado ritos e rotina por lá, superando os tambores tribais. Alguns chefes (de tribos) consideram esses ruídos de digitação uma afronta. Como se eu quisesse, com meus pobres dedos, ameaçar sua paz.

A ONU não vê necessidade de intervenção: a organização afirma que só será considerado incidente diplomático significativo se eu erguer o dedo médio em represália às advertências.

escrito às 2:54 PM por giannetti




8.6.05

TEMPO LERDO

É isso mesmo, lento. Parece até que está parado. Isso, claro, até a gente se dar conta de que está voando. É assim, no avião, a gente olha pela janela e parece que vai devagar. Quando vê, já tá do outro lado do mundo.

Paciência. Não consegui ainda responder todos os e-mails que recebi desde a volta lá do Sul, não mandei as fotos pros chegados. Relógio parado.

Não digo essas coisas aqui na impessoalidade, no geral, economizando contato. Tô é ampliando o raio-de-ação do agradecimento a quem apareceu lá ontem na Argumento, comprou o livro, ou não comprou, abraçou, beijou, bebeu cervejinha, até aos que autografaram meus peitos (a parte disponível no decote), a quem telefonou se desculpando por não ir porque tava rolando um tiroteio na saída da Ilha e outro em Vila Isabel, a quem ficou preso no trabalho, na Pós, ou em Santos e até tentou carona às 18h mas não chegaria a tempo e não sabia direito onde era essa Argumento portanto deixou pra próxima. Sem pressa.

Meu conto, "Inseto", tem um tempo lento pra caramba. O narrador fala, fala, dá voltas, larga a faculdade, deixa uma estranha entrar no apartamento que aluga numa cidade que não é a sua, dá pitacos fragmentados sobre o pouco que lhe acontece e às pessoas que, do mesmo jeito que ele, são sozinhas até o talo. Sem salvação, a não ser contar esses detalhes insignificantes. Ele não come a estranha, a estranha não paga um boquete pro porteiro, o irmão do narrador - um instrutor de musculação - não dança nu lambuzado de mel. "Inseto" não tem ritmo de trepada frenética. Tá mais pra quem deita de barriga pra cima na cama e pensa em acender um depois mas freia o gesto de apanhar o maço na mesinha de cabeceira porque tem vergonha do clichê e a moça do lado - que é cretina e mais velha - podia rir da cara dele. Pega o cigarro, no final das contas, está sozinho mesmo. A cretina era coisa da cabeça dele.

escrito às 9:44 PM por giannetti




7.6.05

LANÇAMENTO É UM PORRE

This one is on the house.


escrito às 10:02 AM por giannetti




6.6.05

O TERROR DOS RPs

Na volta tirava o nariz da Bravo e botava na janela do avião, a revista critica o último livro o Tom Wolfe numa das principais matérias e dá ecos disso em trechos de outras matérias. Suco, senhora?, acabamos de experimentar uma pequena turbulência mas estaremos pousando em São Paulo dentro de uma hora. Acabamos de experimentar uma pequena turbulência mas conseguimos dormir, afinal, nas últimas oito horas. Viajei acompanhada de uma pessoa que eu não via faz tempo. Chegamos em paz.

Vou escrever uma matéria sobre a viagem. Antes, agradeço Paulo Ribeiro, Juliano Machado, Cintia, Paula, Chuck, Nicky, Lidiane. Caramba. Cintia, Paulo, Ana, Fabrício, Marcelino, Cardoso. Foi doido. GuiMig, ótima recepção no Belmonte.

escrito às 5:35 PM por giannetti




3.6.05

FALA FALA

Tô indo pra Caxias do Sul fazer uma palestra na UCS sobre escrevescreve. O Cardoso e o Marcelino Freire também estarão lá. Mínima de 10 graus, máxima de 20 graus. Ou seja, pra carioca, tá frio.

escrito às 8:11 AM por giannetti




TANTO FAZ

Presenteada com o livro de 1981 de Reinaldo Moraes. A forasteira BB entrou em certo sebo inóspito e conseguiu compra-lo. Sei de gente que desiste de levar o que escolhe depois de se dirigir duas, três vezes a um vendedor e deduzir que ele morreu em pé. Ontem mesmo fui deixar convites para o lançamento do "Dentro de um livro" e, pra me responder se eu podia ou não deixar os flyers, um sujeito fez um dos esforços mais comoventes que já testemunhamos num misantropo.

Minha mãe, que só entra lá pra (agora vou dar uma cardosada) ACARINHAR OS GATOS do local, também já se irritou com o simpático. O cara a vigiava de perto. "Não vou roubar teu gato não. Tô só coçando."

A Berinjela vive cheia não é à toa. E o gato é liberado.

escrito às 8:00 AM por giannetti




1.6.05

ELE DISSE, ELA DISSE

"Journalism for Women, A Practical Guide", de E.A. Bennett. Livro publicado em 1867, que pode ser lido aqui.

Nellie Bly, repórter pioneira que derrubou o "modelo de jornalismo feminino" de Bennet:

"In September 1887, Nellie succeeded in joining the staff of the New York World where her first assignment was to be committed to the Women's Lunatic Asylum on Blackwell's Island. This adventurous and daring stunt propelled Bly into the limelight of New York journalism. She was the inventor of investigative reporting and an expert at under-cover work. She posed as a poor sweatshop worker to expose the cruelty and dire conditions under which women toiled. When shop owners threatened to pull their advertising from the Dispatch, Nellie was put on the fashion beat. She responded to her new assignment by taking a six-month working vacation in Mexico. She continued to write articles for the paper which focused on poverty and political corruption in Mexico. Eventually the articles got her ejected from the country by its government."

***

O livro de Bennet é engraçado quando ele se dedica a analisar a raça das repórteres. No capítulo entitulado "Imperfections of the Existing Woman-Journalist", não hesita em afirmar:

"The female sex is prone to be inaccurate and careless of apparently trivial detail".

Deixa de ser patético quando fala sobre jornalismo sem gênero. É até bom. Podia ter ficado só no tema da introdução, os solitários, os entediados:

"Life (says the public) is dull. But good newspapers are a report of life, and good newspapers are not dull."

"Therefore, journalism is an art: it is the art of lending to people and events intrinsically dull an interest which does not properly belong to them."

"For the majority of people the earth is a dull planet.

It is only a Stevenson who can say: "I never remember being bored;" and one may fairly doubt whether even Stevenson uttered truth when he made that extraordinary statement. None of us escapes boredom entirely: some of us, indeed, are bored during the greater part of our lives. The fact is unpalatable, but it is a fact. Each thinks that his existence is surrounded and hemmed in by the Ordinary; that his vocations and pastimes are utterly commonplace; his friends prosaic; even his sorrows sordid. We are (a few will say) colour blind to the rainbow tints of life, and we see everything grey, or perhaps blue. We feel instinctively that if there is such a thing as romance, it contrives to exhibit itself just where we are not. Often we go in search of it (as a man will follow a fire-engine) to the Continent, to the Soudan, to the East End, to the Divorce Court; but the chances are a hundred to one against our finding it. The reason of our failure lies in our firm though unacknowledged conviction that the events _we_ have witnessed, the persons _we_ have known, are _ipso facto_ less romantic, less diverting, than certain other events which we happen not to have witnessed, certain other persons whom we happen not to have known. And such is indubitably the case; for romance, interest, dwell not in the thing seen, but in the eye of the beholder. And so the earth is a dull planet--for the majority."

escrito às 4:57 PM por giannetti





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