lugares.que.nao.conheço.pessoas.que.nunca.fui
29.7.05

BUDISMO

Não tinha pelo que te agradecer, voltei a fumar. Gracias, esquecia como pode ser bom de madrugada (só por três, três maços then i´ll quit).

escrito às 1:22 AM por giannetti




27.7.05

TV SEM SOM

"(...) I was a stranger in the country where I was born. I had friends whom I drank with and friends who invited me to dinner but sometimes it all seemed like TV with the sound turned off." - Russell Hoban.

escrito às 10:21 PM por giannetti




CHICOTE

matérias pra versão calibrada daquela revista.

trilha sonora bucha e datada [sick tired & sleepless / with no one here to sing for - cardigans, "sick & tired", do disquinho life, lançado em 1995.]

notas retomadas: tenho uma fé enorme que às vezes se desprende de mim e não tenho controle algum sobre ela, que pousa em cima das coisas erradas, do tipo em que ninguém quer acreditar. é quando me chamam de pessimista.


escrito às 9:56 AM por giannetti




26.7.05

CEP 20000

Paulo Scott continua no Rio e vai participar hoje do CEP 20.000 no Sérgio Porto. Enquanto Scott fala os textos, JP Cuenca vai tocar aquela guitarra verde que ele costuma varejar na parede, jogar cerveja em cima etc nos shows do Netunos.

Dá pra ir no lançamento da Cris no Travecão e seguir direto pra pegar a maluquice dos caras no CEP às 20h.

escrito às 3:51 PM por giannetti




PENA DE ALUGUEL

O jornalismo, especialmente no Brasil, é um fator positivo ou negativo para a arte literária?

O que significou a aproximação entre o escritor e o jornalista?

Como viver de jornalismo ou literatura num país com com 17,6 milhões de pessoas que não sabem ler nem escrever?

Como é que eu vou pagar o aluguel se não alugar meu texto?

Se estas questões soam muito familiares pra você, seus pobremas não se acabaram-se. Mas ao menos agora são discutidos: Pena de Aluguel (Cia. das Letras), de Cristiane Costa, lançado hoje, na Livraria da Travessa (Travecão) de Ipanema, mostra que a redação pode não ser mais o lugar do escritor ganhar seu dinheirinho e trata dos diversos momentos em que jornalismo e literatura se cruzaram no Brasil.



No trecho abaixo, a autora toca no assunto e chama o Graça (escritor conhecido por araciçar gente antes mesmo de o termo ser cunhado pelo Fred) pra conversa:

Num artigo de pouco mais de cinco páginas, "O fator econômico no romance brasileiro", publicado em 1945, Graciliano Ramos chama a atenção para a relação entre a precariedade da profissão de escritor no Brasil e a dificuldade de nossos autores em abordar questões relacionadas a dinheiro em sua obra.

"Procuramos a razão da indiferença dos nossos escritores para os assuntos de natureza econômica. Talvez isso se relacione com as dificuldades em que se acham quase todos num país onde a profissão literária ainda é uma remota possibilidade e os artistas em geral se livram da fome entrando no funcionalismo público. Constrangidos pelo orçamento mesquinho, esses maus funcionários buscam na ficção um refúgio e esquecem voluntariamente as preocupações que os acabrunham. Sendo assim, temos de admitir que são exatamente cuidados excessivos de ordem econômica que lhes tiram o gosto de observar os fatos relativos à produção. O que eles produzem rende pouco, quase uma insignificância, e é possível que não queiram pensar nisso."

Há uma profunda e pouco estudada correlação entre valores estéticos e monetários, aponta Graciliano. Para ele, o resultado dessa ocultação do fator econômico seria a causa de um excesso de subjetividade nos romances brasileiros e uma flagrante inverossimilhança de suas tramas e personagens, que, desprovidos de necessidades essenciais, só agiriam movidos por sentimentos.

"Perguntamos com desânimo se estamos condenados a ver surgirem nas vitrinas livros que fazem barulho e em menos de um ano morrem e se enterram, a elogiar outros que um patriotismo vesgo afirma serem ótimos e ninguém lê."


É ducaralho.

escrito às 2:36 PM por giannetti




NOSSA GAROTINHA ESTÁ CRESCENDO

[ou seja: já olha pra trás]

[...]e a vontade de ficar
pra sempre
parada
ao lado da bicicleta
no canto esquerdo da garagem
esperando que algo nos encoraje
a cruzar a folha em branco
do caminho.
- Bruna Beber.


escrito às 2:04 PM por giannetti




25.7.05

THE FUTURE

Love is the only engine of survival - Leonardo Cohen.

escrito às 10:21 PM por giannetti




BEIJA A BOTA DE COURO BRI-LHO-SÔ

Tô cansado
Tô aporrinhado
Se eu dormir mil anos, acooooooordo mal
E sonho uns sonhos doidos
Arco-íris salgados
Largados por brechas de pálpebras cerradas
- Lou Reed, tradução bunda-na-janela.

95% do meu mau-humor eu invento pra te fazer rir. Os outros 5% são pra valer.

escrito às 9:48 PM por giannetti




23.7.05

CRONOGRAMA

[araciça de almeida returns]

Latiam os últimos acordes de um hit alcoolicomatoso do Wander Wildner no Odisséia ontem quando a pergunta me cutucou ali nas costas. No ombrinho. Com a ponta de um dedo de subtexto paranóico-imaginário soando como nota errada. Ei. A Data. Quando é que sai o livro?

O meu subtexto paranóico pra essa pergunta é: por que o livro não saiu ainda?

Os motivos todos aparecem aqui sempre, desde o final de 2003. Porque ia levar mais que um show inteiro do Wander pra eu contar tudo que rolou desde que comecei a escrever. Eu até venho neste cybercafe abafado, xexelento, desde que fiquei sem micro próprio (há 15 dias) só pra não deixar o espaço aqui desfalcado de mais este episódio Hrundi V. Bakshi dos bastidores do livrinho. [vozes na cabeça: livro de merda, pois. eu devia ter continuado a cantar e me aporrinhar com outras coisas, como evitar que o baterista desfigurasse as músicas todas improvisando junto com o gene krupa que vivia dentro da cabeça dele na época.]

Atrasos e avanços do livro aconteceram sempre por conta de emprego. Primeiro atraso: entrei pra um jornal. Redação pela primeira vez na vida. Não escrevi nada que prestasse enquanto passava o dia e parte da noite na redação (isso durou oito meses). Algumas matérias bacanas, mas ficção não. Depois troquei o jornal por uma editora (11 meses). E aí a editora passou a precisar mais de uma açeçora de imprença que de alguém pra escarafunchar os originais que chegavam. Assessoria não é comigo, daí... saí da editora.

Só agora tô status-frila 100%, o único que deixa a gente fazer o próprio horário. Elevado grau de paranóia me obriga a escrever e reescrever qualquer paragrafozinho de merda, fazer meu próprio horário e trabalhar em casa é o que eu preciso pra fechar o livro. Aí o micro morre. Sacou? Justo na primeira segunda-feira (aquela pós-Flip) em que eu estava oficialmente frila.

Paciência. Micro volta semana que vem. E eu volto a trabalhar no livro semana que vem, entregar final do ano e lançar primeira metade do ano que vem (num é isso, Paulo?). Por enquanto, rola por aí um livreto que a editora fez pra ciruclar na Flip e adianta um trecho do livro, além dos contos espalhados numa pregada de antologia. Tô coçando não.

escrito às 4:32 PM por giannetti




22.7.05

POETAGEM

Hoje, a partir de 19h, na Dantes (Odeon) rola dub com Sensorial Sistema de Som + leituras de Omar Salomão, Ericson, Mauro Sta Cecilia, Danilo Monteiro e quem mais quiser ler.

escrito às 3:18 PM por giannetti




21.7.05

CANETA-TINTEIRO

Desde que voltei de Paraty meu computador se encontra em poder de um técnico. Primeiro ele levou apenas a placa de vídeo. Numa segunda visita, carregou o processador. Hoje levou a torre inteira. Promete devolver em algum dia da semana que vem. Tudo muito vago e remoto.

Pra fazer frila, pago algumas horas num cyber (claro que não compensa) mas não tenho conseguido responder e-mails direito. Não dá nem pra ficar confortável nesta cadeira, num cubículo, com gringos em bando e putas em par rindo, orkut, ouvindo música, MSN, combinando programa. Portanto não xinguem, não mandem hate-mail, não desistam de mim. É só que a minha máquina, o técnico...

Fora os frilas, rabisco uma coisa ou outra no caderno. Uma coisa ou outra, hora de fazer escolhas.

escrito às 12:15 PM por giannetti




PARA GIORGIO, OUTRA VEZ

Continuo não conseguindo enviar mensagens a você: tudo undelivered.

escrito às 12:07 PM por giannetti




19.7.05

CHACRETE POR UM DIA

manhê, olha eu no ricotta.

escrito às 4:20 PM por giannetti




15.7.05

ATENÇÃO GIORGIO

Caro Giorgio,
desculpe não ter respondido antes a sua mensagem. Ela ficou no meu computador em casa, que está em conserto [estou num cybercafe]. Tentei responder sua última msg por webmail mas sempre retorna [undelivered]. Daí... decidi usar o blog.

Pode usar o texto, quero apenas dar mais uma olhada nele para garantir se não devo mudar qualquer coisa antes de considerar definitiva a versão que lhe enviei.

Não tenho agente, vamos nos falando diretamente mesmo [você tem um email alternativo da editora ou algo assim? o tomarchi@libero.it dá problemas].

escrito às 12:01 PM por giannetti




DAY TRIPPER

Uma trouxa nas costas e uma pauta no bloquinho [preu não esquecer que viajo hoje é pra trabalhar]. Na cabeça, nem te conto [good buzz]. De volta na segunda: molhe minhas plantas [do jeito que achar melhor] e vou diexando sorrisos-fantasma no espelho das duas casas por onde passar, à guisa de bilhete, e olhares embrumados de lentes-dormidas [mas tá uma poeta]. Tô, tô. Nem te conto.

escrito às 11:49 AM por giannetti




RELAX, É COPA

Morei dois anos em Copa. Tô desde novembro no Flamengo. E nunca canso de me surpreender com o bairro quando venho visitar os ex-vizinhos. Fui à farmácia do Leme tirar dinheiro no caixa eletrônico e encontrei o Homem-Bagana. Plena luz do dia. Ai de ti, Copacabana.






escrito às 5:40 AM por giannetti




PAUTA

Eu amo a Dantes no Odeon. Eu amo muito mais a Dantes no Odeon do que amava no Leblon. Eu tinha preguiça danada do Leblon, e à Dantes na Cinelândia eu vou até a pé, como fiz anteontem. E achei três Henry Miller em inglês, edições velhinhas, caqueradas, custando o que o povão paga. "Wisdom of the heart" + "The world of sex" + aquele que relata seu período de alopração na Grécia. E a Dantes do Odeon parece mais afeita à farra, propícia à festa, aquele negócio da gente lançar os livros lá e DJzar. Acho. Hein, Ana?

***

"I have faith in the man who is writing, who is myself, the writer. I do not believe in words, no matter if strung together by the most skillful man: I believe in language, which is something beyond words, something which words give only an inadequate illusion of. Words do not exist separately, except in the minds of scholars, etymologists, philologists, etc. Words divorced from language are dead things, and yeld no secrets. A man is revealed in his style, the language which he has created for himself. (...) The great writer is the very symbol of life, of the non-perfect." - HENRY MILLER, THE WISDOM OF THE HEART.

***

Ainda sem web, espancando o teclado do Fred. O guri hoje garantiu na reunião de pauta (aka sopa + cerva + idéias soltas + riso frouxo) que o design novo da Revista Bala tá quase pronto. Isso é uma convocação pra todos os colaboradores: mandem as paradas que tá bom o negócio.

***

Esse negócio de *** chateia.

***

N.P.:"Nightswimming", REM.
"Painbirds" - Sparklehorse
"Holland, 1945" - Neutral MIlk Hotel
[como é que tu não tem "(i´m gonna be drunk) at your wedding", do smog?]

escrito às 3:37 AM por giannetti




14.7.05

ENERGIA

Conversei com o Cara Que Usa Uma Chapinha Na Testa e o Felippe Ricotta gravou. O Cara da Chapinha na Testa é um personagem que eu não via desde 1997:

"Eu tenho 48. Uso ela desde os 25."
"Mas ela tá colada aí?"
"Não, eu troco o tempo todo."
"Mas como que ela se conecta à sua testa? É por energia?"
"Ela gosta de ficar aqui. É uma proteção contra más energias."
"É, aqui tem muita energia negativa, né?"
"Bem, todo lugar que tem birita..."
"Mas não precisa ter birita. Pensa num lugar de trabalho. Não tem lugar mais bad vibe do que um escritório."


É. Eu devia sair à noite mais vezes.

escrito às 7:52 PM por giannetti




A VERDADEIRA ARTE DE VIAJAR

A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando! - Mário Quintana


Como eu ia dizendo pro Chico: cybercafe sem ar-condicionado é oficina do diabo. Porém, se a gente pensar como o Quintana... nah. Não tem poesia que resista a isto aqui. Ainda: lento, barulhento - clichê e rima pobre.

Parecer do técnico que carregou minha placa de vídeo há dois dias: "Ih, é, né. Esqueci de te ligar, né. É. Num é a placa não."

escrito às 9:44 AM por giannetti




13.7.05

SOUND FURY ESSAS BODEGAS


Hoje, no Teatro Odisséia (Av. Mem de Sá, 66, Lapa)

Abertura da casa: 20h; início do show: 22h

Ingresso: R$ 16

escrito às 3:08 PM por giannetti




12.7.05

QUALQUER UM PODE TOCAR GUITARRA

here we are with our running and confusion
and i don´t see no confusion anywhere
and if the world does turn
and if london burns
i´ll be standing on the beach with my guitar


Como é costume ocorrer toda vez que fico meio vagabunda (aka trabalhando em casa ou quando o tempo vira), meu micro não me aguenta batucando e reclamando dia e noite e entra em greve. Chamei o técnico e o sujeito é aguardado pra hoje mesmo mas não tô botando muita fé na pronta recuperação do micro: ele faz barulho de helicóptero toda vez que ligo e não mostra nada na tela. Desta vez eu fiz back-up.

Tô num cyber mastigando e-mails e flashes de Paraty - na bolsa, a nova edição da Cult com Antonioni na capa e o DVD de A Noite, pra animar as coisas enquanto o técnico tenta ressuscitar o computador. Na bolsa também o livro do Cardoso, que vou ler no jardim do Museu, perto dos patos (algo a ver com meu amor pelos vocais do Bob Dylan).

Com a máquina em estado de coma profundo, restou tirar um bocado de coisas do fundo de estantes onde juntavam poeira e mágoas a meu respeito. O primeiro do Radiohead, meu violão, meu caderno preto.

escrito às 2:17 PM por giannetti




11.7.05


No bar do roque, em Paraty, bebendo água (seus incréus)

escrito às 2:43 AM por giannetti




BILHETE QUE NÃO ESCREVEMOS

"Caríssimo,
O senhor por favor perdoe o lapso matinal. Não era nossa intenção apalpá-lo, muito embora às vezes o senhor de fato desperte por aí diversas más intenções, as nossas para consigo sempre foram mais que discretas: eram omissas. Nunca as pusemos em prática, não até esta manhã, quando, ainda sonados e fortemente under the influence, confundi-mo-lo, eu e meus dedos, com o colaborador que nos acompanhara noite adentro até então. Esperamos que, em nossos próximos contactos, nosso relacionamento não se revele estremecido por esse curioso engano.
Abraços (sem quaisquer segundas ou terceiras intenções), Nós."


escrito às 2:42 AM por giannetti




FLIP 2005

colunismo social de pobre



Em sentido caótico, da esquerda para a direita, todo mundo misturado no ajuntamento que rolou no sábado no Bar do Roque ou Bambu´s (filial): Conferindo uma cana Coqueiro caramelada, Diana de Hollanda, Bruna Beber e Leonardo Levis * Cenas de Paixão, Cachecol & Óculos entre Fred Leal e Cardoso * Bruno e eu * Giuseppe Bona Gente * Criador do projeto Na Tábua, Paulo Scott pergunta a Alexandre Nix qual o Segredo do Blazer * Bruno e Carol Bensimon * Depois do trampo com o Portal Literal na cobertura da Flip, Omar Salomão encara uma cerva * Delfim, das Edições K, com a esposa - porque o Bar do Roque também é de família * Observando o povo chegar pra micareta * Rindo à toa * No som do boteco: Pavement, Teenage Fanclub, Wilson Simonal, Monarco, Jorge Benjor, Roberto Carlos, Van Morrison, Asian Dub Foundation, MIA, Zeca Pagodinho, Buzzcocks, Rolling Stones * Na pauta: lançamento do livro do Cardoso, Cavernas e Concubinas * Na boa: geral trocando idéia, livros, telefone * Fusão entre a Cleptomaníacos de Corações S.A. e a Paixões Platônicas LTDA * Festinha no play pra adulto que não cresce, rock in rio de escritor.

escrito às 2:15 AM por giannetti




10.7.05


Pedro Mandagará: elegância de gravata na PoZada-Favelão
durante a FLIP


domo
(por Pedro Mandagará - publicado na Paralelos):
"o mundo das pessoas grandes, uma vez, não o das pessoas inho. pensei nos furos de ar e sair por ali de tão inho. ah, quando vêm me alimentar é que. ser again decidido blah blah que soubesse tal e tal dar um soco, é claro no momento certo. mas tremo: meus olhos radiam-te: resta meu candor."

escrito às 9:49 PM por giannetti




PILHA ERRADA

"Dia a dia de quem quer se tornar um astro das letras"?! Nós é que bebemos e ele que fica tosco. Fomos tomar uma cerva com os amigos na micareta de Paraty. O resto é preâmbulo de jornalista frila. Se liga.

escrito às 8:18 PM por giannetti




9.7.05

CASINO

Oi Cecília, tudo bem?

Estava navegando à toa, quando parei no blog BadTrip, e resolvi baixar o podcast do É Batata! (http://badtrip.com.br/batata/). Nele rola umas músicas do Casino, sua ex-banda, confere? Ouvi, gostei (muito), e me senti na obrigação de enviar-lhe este e-mail, parabenizando-a.

Vi no É Batata! que tens um blog, vou lê-lo agora.

Novamente, parabéns pelo talento e pela boa música!

Rodrigo P. Ghedin.
http://www.rodrigoghedin.com.br/

escrito às 5:25 PM por giannetti




7.7.05

PINDAÍBA E FRIACA EM PARATY

Na última das últimas horas pré-FLIP eu percebi que ficar no Rio enquanto todo mundo vai pra Paraty não ia me ajudar a arranjar os próximos frilas, sejam eles de texto ou lapdance. A decisão de vir pra cidade foi tomada na terça à noite mas ainda tinha a coisa da grana. Ou melhor, não tinha. O frila que eu ia fazer pra pagar a PoZada-Favelão tinha falhado, eu não nasci na realeza, não sei falsificar dinheiro e não namoro nenhum sugardaddy bilionário. Lembrei do Bar Mitzvah do Oren. O seu Fuchs me conhece desde garotinha e vem ameaçando me contratar como DJ pra festa do garoto desde que me ouviu tocando num teatro no centro da cidade, por acaso, quando saía de uma peça ali perto (or so he says, tem um monte de cinema suspeito na área e o seu Fuchs é um coroa suspeito). No próximo fim-de-semana após a FLIP, eu vou tocar seis horas de som pro Oren e amigos, com dois intervalos de 15 minutos, pelo patrocínio. Acredite se quiser.

Tô num cyber na Rua da Lapa, no Centro Histérico de Paraty. Cheguei ontem sem saber onde ficar e saí caçando a PoZada-Favelão que o Cardoso e mais umas dez pessoas haviam alugado. Eram três quartos pra todo mundo, dois com banheiro externo (a "casinha") e uma suíte. Colchonetes pelo chão e a dona do local decreta: "vou ter cobertor pra todo mundo não". Ah, e tem isso: tá uma frio da porra na cidade. E chovendo. Cardoso gentilmente me cedeu o cobertor dele, com a justificativa de que gaúcho não sente frio, e deve ter vestido todas as roupas que tinha na mala (duas calças, duas camisetas, três casacos) pra dormir. Eu, mesmo com o cobertor, fiquei gripada. O Nix, deitado na cama ao meu lado (não que role um affair, mas o quarto era um barracão lotado) começou a ficar muito puto quando a gente recebeu as primeiras visitas de amigos lá pelas 2h da madrugada. A intimidade da gripe transmitida de um morador pra todos e a fumaça espessa dominando o ar viciado do barraco, tudo lembrava demais viagens de adolescência. É assim: tu fica velho e, automaticamente, fica fresco. Me senti meio invasora também, já que eu não tinha reservado quarto no favelão e tava ali, roubando o cobertor do meu muso ruivo gaúcho. E o Fred dormindo no chão sem cobertor nem nada?

A PRINCESA E OS AMOTINADOS DO FAVELÃO

Hoje de manhã, Nix acordou decididão: "aí, vou arrumar outra parada". Botou um blazer e saiu. Eu dormi mais um pouco (até as 13h30, aproveitando que a insônia deu trégua) e fui tomar café no Centro Histérico. Encontrei o Paulo Scott com o Marçal Aquino e discutimos a situação do favelão. Minha proposta era motim: ou dá mais cobertor pra todo mundo ou cobra menos. Marçal: violência não, melhor beber conhaque. Scott: mas se beber conhaque, vai ter guerra. Não chegamos a um consenso, exceto que a boa de hoje é comer de graça na festa do portuga (o escritor Gonçalo Tavares).

Quando reencontrei o Nix, ele já tinha almoçado com a realeza. Parece que conheceu a Princesa, mais o seu D. João e uns chegados da Coroa Portuguesa e virou monarquista. Eu sabia que o blazer ia funcionar. O cara fica lindo de blazer. Só sei que saiu do evento com um quarto e duas camas numa pousada de verdade e conseguiu regatear ainda pra chegar ao mesmo preço de uma vaga no favelão. Como é que esse cara faz isso? E o que é que a princesa tem a ver com a pousada? Essas são perguntas que meu reticente amigo não pôde me responder antes de se deitar e descansar mas promete esclarecer melhor mais tarde, quando nos encontrarmos para o coquetel dançante em homenagem a Gonçalo Tavares. Living la vida loca.

escrito às 5:53 PM por giannetti




4.7.05

BOO-HOO

Não vou à FLIP porque o frila que eu tinha engatado pra financiar cinco dias em Paraty foi pra CUCUIA. É uma verdade universalmente conhecida que a festa é imperdível mas boo-hoo, i did it my way. Aos poetas deambulatórios, boa viagem e não deixem de olhar pras paredes por lá: tem um texto meu no Na Tábua.

escrito às 5:45 AM por giannetti





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ANOTAÇÕES QUASE DIÁRIAS SOBRE LIVRO QUASE PRONTO SEMELHANÇA QUALQUER
MERA COINCIDÊNCIA















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