DEZ MANEIRAS DE FUDER UMA CONVERSA
"Não encosta aí. Nem aí. É que eu decidi apagar todas as minhas tatuagens e as bolhas estão estourando."
"Eu tava vendo Amor estranho amor no sábado enquanto meu irmão não chegava com as drogas..."
"Não posso ir no teu aniversário. Saio do trabalho e vou direto pra casa terminar uns frilas... tenho feito isso há uns três meses."
"Fala a verdade: essa coisa de fotógrafo de moda é onda. No dia a dia tu só curte gente feia."
"Nunca li quadrinho. Meu negócio é Foucault".
"Minha cor preferida é verde. Ô, verde. Puta que o pario, como eu gosto de verde."
"Estou deprimido. Quer conversar?"
[não deu pra completar dez. assim até os motivos fogem.]
Rugas na tua cara de moleque
"Regardeá ma non tocá". - c.b. gonzalez.
Se os vestígios de todos os trabalhos que preciso terminar esta semana não estivessem na minha frente, em cima da mesa, ainda assim eu teria noção exata do que é cada um e seus prazos, pelo peso que têm na minha consciência. São dois cadernos cheios de anotações, entrevistas e endereços de sites para duas matérias sobre assuntos diferentes; tenho folhas soltas nas cores verde e branca cheias da mesma coisa, para um terceiro trabalho; tenho na agenda uma seqüência especialmente ininteligível dos meus garranchos - traduzidos, significarão minha conversa por telefone com um escritor novo tão bom que foi muito mais difícil pra mim entrevistá-lo que ao Saramago.
Platão, o rei dos boçais. MIA, a Ivete Sangalo dos mudernos. Eu coração rugas precoces e cara de virado. Eu disse virado.
Todas as coisas à minha frente são negociações com o tempo que eu faço. Pagas as dívidas com as instituições, falta quitar a maior delas, comigo. Não tenho credor mais feroz.
"Vai te fazer bem", um Fucs me diz, como se a liberdade fosse um remédio fitoterápico. Mas ele tem razão.
Por que eu associo nomadismo e liberdade? Não sei.
Nos últimos três anos, mudei de casa cinco vezes. Cinco vezes. É pouco, cada casa perto demais da outra. Eu imagino que o mundo seja maior.
A bagunça em cima da mesa é melhor organizada na minha cabeça: datas de entrega dos trabalhos, renda e para onde vai cada centavo. Tenho uma relação platônica - no sentido ocidentalizado pós-moderno da coisa, como queira, seu filho-da-puta - com o fruto dos meus trabalhos: nunca chego a tocá-los. Estão sempre fugindo, indo parar nas mãos erradas, deixando-se enfiar nas cavidades das calças dos outros. Meus livros, não, neles eu passo a mão, eu pego quando quero e ainda fico feliz quando outras pessoas os levam pra casa. Livros são outro tipo de produto do esforço do escritor. Não são feitos pra pagar contas, embora alguns desvirtuem e rendam a um autor ou outro um caramingüá a mais de vez em quando. Não tenham medo de ler sobre dinheiro. Ele é a questão principal do mundo e a mais desimportante do mundo; gastar os músculos dos antebraços tratando dela. Cabeça.
Sonhos têm efeito lento homeopático - às vezes placebo - mas experimente ficar sem. O que é contraditório, claro.
JUDITH
Tem conto meu no Fórum de Literatura do PACC. [deixei passar dois errinhos bestas, um logo no segundo parágrafo - correto seria "Mas não foi embora" - e lá pro final, uma frase com digitação truncada que até tem seu charme pós-mudernoso].

FRA(N)QUEZA
Batizei um quadro de Mariana Rebelo, que agora ou descansa numa galeria em Portugal ou foi comprado por uma quantia obscena que deixou rica a artista.
From: Cecilia Giannetti Mailed-By: gmail.com
Reply-To: Cecilia Giannetti
To: ---------------- @netcabo.pt
Date: Jul 21, 2005 12:35 PM
Subject: Re: QUADRO MARIANA REBELO
Mariana,
quando falamos com um animal pela primeira vez, é bom estender-lhe vagarosamente ao menos uma das mãos viradas para cima, próxima ao focinho, para que ele saiba que a intenção não é o ataque. Um gato ou um cachorro, por exemplo, fica mais à vontade quando pode nos cheirar a palma da mão ao primeiro contato e verificar que não escondemos nada que possa lhe machucar.
Por outro lado, quando temos o primeiro contato com gente, não é raro escondermos o que temos nas mãos. (Ou na manga. Ou na mente).
O quadro me parece chamar-se "Fra[n]queza" porque as mãos oferecem ao nosso escrutínio o que possuem. O escorpião exposto é uma fraqueza, não uma arma; é uma chaga: "são estas as possibilidades que guardo - honestamente". Essa franqueza é humilde, é um baixar de armas apaixonado? E muito bonito. Será que você concorda?
HOJE
Vou falar sobre escrevescreve no Castelinho do Flamengo às 18h30. Na carência de boteco e papo furado em que me encontro nos últimos três meses, é possível que fale muito. Seria bom ter por lá quem me interrompesse de quando em quando o monólogo e o transformasse em conversa.

e.e. cummings
i like my body when it is with your
body. It is so quite new a thing.
muscles better and nerves more.
i like your body. i like what it does,
i like its hows. i like to feel the spine
of your body and its bones, and the trembling
-firm-smooth ness and which i will
again and again and again
kiss, i like kissing this and that of you,
i like, slowly stroking the, shocking fuzz
of your electric fur, and what-is-it comes
over parting flesh . . . . and eyes big love-crumbs,
and possibly i like the thrill
of under me you so quite new
E-PISTOLAR
Você se considera uma jornalista gonzo?
[entrevista pra TCC da USP]
Qualquer repórter que trabalhe numa redação convencional hoje e tenha vergonha na cara só pode dizer que é gonzo se estiver de porre, de sacanagem ou delirando de sífilis. O jornalismo gonzo é uma radicalização de um estilo de jornalismo que surgiu no começo do século passado e até hoje ainda é considerado ousado: o jornalismo literário. Imagine o gonzo? Não é só abusado. É comercialmente inviável, principalmente no Brasil.
O Veríssimo, da Trip, não faz gonzo; ele sabe - e brinca com isso - que faz bonzo. Eu não fiz gonzo; fiz algumas matérias que eu acho bacanas porque pude escrever do jeito que queria, porque misturei o que eu realmente pensava sobre o que estava acontecendo à minha volta, porque foram escritas na primeira pessoa - como na matéria em que eu entrei de penetra nos ensaios de uma gravação do Jorge Ben e contei duas histórias, na verdade: a minha, de penetra, e a do que rolava entre Jorge e os músicos, o som, os técnicos, etc - mas isso não era gonzo. É descaralhado mas não posso dizer que é gonzo.
Más notícias: não existe jornalismo gonzo fora de Hunter Tompson.
Boas notícias: o que é viável a partir do gonzo é justamente o que podemos fazer depois de conhecer os textos dele e ficar com vontade de escrever diferente. É essa vontade que tem que virar texto vivo, com personagens e cenários vivos, com ritmo. O que a gente DEVE fazer com jornalismo gonzo não é tentar reproduzir cacoetes de Hunter Thompson mas escrever diferente mesmo, diferente da fôrma de bolo que ensinam na faculdade, que perpetuam nas redações. Não ser regurgitador de release, não depender exclusivamente das assessorias de imprensa, ir mais pra rua, sair, ver a cidade onde mora, procurar o assunto na rua, entre desconhecidos e até entre as pessoas que conhece, entre os amigos.
Notícias melhores: se você observar o fenômeno dos blogs de guerra, dos blogs de judeus e palestinos relatando a merda que vivem lá, o User Generated Content - tendência encampada pela BBC, de utilizar material como fotos e matérias feitos por não-jornalistas, não-repórteres, gente que estava nas ruas e no local no momento de cada acontecimento importante -, o citizen journalism... isso tudo é uma "mutação" que tem a ver com o gonzo. E, nesse sentido, o estilo está mais vivo e disseminado que nunca. Apenas não é o gonzo, nada nunca vai ser, só os textos do Hunter. É uma possiblidade com a qual eu acho que Hunter Thompson teve muito a ver, abriu caminhos pra ela.
Não importa quais limitações te coloquem numa redação (e eles sempre colocam muitas). Não se acomode, não se faça de besta. Não dá pra escrever matéria em primeira pessoa nem no jornal mais metido a moderninho que houver no Brasil mas escrever reportagem em primeira pessoa também não quer dizer porra nenhuma, não quer dizer que seja genial. O leitor quer sim - precisa, exige, porque nada mais nos jornais e revistas interessa, tudo é monótono - ele procura textos diferentes. Mas não basta emular uma coisa que foi vanguarda na década de 60. Não adianta.
Alguns textos do Lester Bangs eram quase gonzo (mas ele era mais voltado pra música e isso carregava também coisas muito pessoais do cara pra cada texto, então também não podiam ser qualificados de estritamente gonzo).
Na atualidade, existem jornalistas gonzo em atividade? Quem são e onde estão?
A coisa mais perto disso que eu já vi é o Xico Sá. Mas ele é um gênio com personalidade e background todo e somente dele. (Vide a última Trip). Excelente escritor. Mas não digo que fulano é gonzo a sério, prum cara sério é que nem xingar a mãe. E não porque o diminua: é que é uma coisa que não existe. Xico também gosta do Hunter mas tem seus encantos particulares, digamos assim. Personalidade. Tem "pechêra".
Quem Foi Hunter Thompson para você?
Um encosto do bem.
Onde está a principal característica que diferencia o Gonzo Journalism do New Journalism?
Anexei a monografia ao e-mail, é um trabalho que eu quero continuar e que tá sem revisão mas fala disso também:
O interesse pela literatura e sua imersão no mundo do jornalismo, aliados à natureza irrequieta e ao temperamento explosivo de Thompson, resultariam no surgimento de uma diferenciação de Jornalismo Literário, mais ligada à contracultura: o jornalismo gonzo.
De acordo com o próprio inventor do gênero, que é também seu único praticante, Hunter S. Thompson, gonzo é: "Um estilo de reportagem baseada na idéia do escritor William Faulkner segundo a qual a melhor ficção é muito infinitamente mais verdadeira que qualquer tipo de jornalismo - e os melhores jornalistas sempre souberam disso."
Isto não significa que a ficção seja "mais verdadeira" que o jornalismo - ou vice versa - mas que tanto "ficção" quanto "jornalismo" seriam o que Hunter denomina "categorias artificiais"; ambas as formas, quando realizadas da melhor maneira possível, seriam dois caminhos para atingir o mesmo fim.
O jornalista gonzo deve estar presente na ação que descreve, sendo capaz de vivenciar e documentar a experiência ao mesmo tempo, com "o talento de um grande jornalista, o olho de um fotógrafo, e os culhões de um ator". Uma das características mais marcantes do jornalismo gonzo é que suas matérias são escritas sempre com uso da primeira pessoa no texto. O jornalista gonzo dispensa as pretensões à objetividade e escreve quase sempre em primeira pessoa. Suas matérias não são mera narrativa, mas relatos de experiências em que participa da ação. O "eu" do jornalista interfere na matéria: nela, reportagem e repórter não estão separados, viabilizando através deste estilo crítica, paródia, ironia e alerta. O riso, a gafe, o erro, o inesperado, podem produzir algum conhecimento.
"Gonzo é uma espécie de Buñuel do jornalismo. Mais do que tirar fotos engraçadas e escrever textos espirituosos, quer rir de si mesmo, da sua cultura, do próprio ato de rir. Assim como o cineasta espanhol, o gonzo quer mostrar a família defecando na sala e almoçando no banheiro. Para isso, é importante o jornalista partir do 'eu', da experiência ao vivo, in loco. Para depois recriar a história, ao narrá-la. Não como quem enuncia uma verdade, mas como quem faz um convite. Você aceitaria?" [Eduf]
Para Hunter S. Thompson, a objetividade no jornalismo é um artigo raro, senão inexistente: "Todos procuramos por ela mas quem pode apontar a direção? Não se dê ao trabalho de procurá-la em mim - não sob nenhuma linha escrita por mim; ou por qualquer outro em que se possa pensar." Por este prisma, o gonzo é um jogo com a definição de objetividade jornalística: Através do uso do "eu" em seu discurso, põe em dúvida a apreensão de toda a complexidade que o leitor costuma pensar ter após ler uma reportagem - Até que ponto é possível realmente saber tudo o que se passou em um evento reportado por um jornalista da maneira tradicional, se o relato é "imparcial" e "objetivo"? E até onde podemos confiar no que relata um jornalista gonzo? - O jogo de perspectiva leva o leitor a questionar tudo o que lê, a pensar a informação e não apenas ler e aceitar o que lhe é entregue como um fato, passivamente.
O jornalismo gonzo ganhou as páginas de veículos como a revista Rolling Stone, tornando-se popular na década de 60, por abordar temas ligados à contracultura de sua época - festivais de rock, drogas, hell´s angels, entre outros, são temas que atraíram profundamente Thompson ao longo de sua carreira. Neste âmbito, o jornalismo gonzo oferece outro tipo de jogo que também tem como objetivo deslocar conceitos e mostrar um outro lado da tão celebrada e disseminada cultura norte-americana e do american way of life. "Eu não obtenho satisfação alguma com a velha e tradicional ótica do jornalista - "Eu cobri a história. Eu dei uma versão equilibrada," Thompson disse certa vez em entrevista à revista Atlantic Unbound. "O jornalismo dito objetivo é uma das razões pelas quais a política na América tem podido se mostrar tão corrupta por tanto tempo. Você não pode ser objetivo sobre Nixon. Como você pode ser objetivo sobre Clinton?", concluiu.
O movimento beatnik pode ser considerado o maior ponto de partida para o surgimento do New Journalism de Tom Wolfe?
Mas nem fudendo.
Como você vê a questão ética nos estilos New Journalism e Gonzo Journalism?
São passíveis de cagadas tanto quanto o jornalismo ortodoxo. Na verdade, o jornalismo literário e o gonzo são bem MENOS passíveis de cagadas antiéticas porque neles se esconde menos, se dissimula menos que no jornalismo chamado convencional. No literário e principalmente no gonzo não existe o mito da isenção. Eles oferecem também dados sobre o indivíduo que escreve a matéria - honestidade que mostra ao leitor um dado a mais com que possa julgar as informações que lhe são passadas sobre um fato: permite que o leitor saiba que existe gente - e não uma máquina 100% isenta - escrevendo aquilo ali e que, como gente, tem obsessões, humores, receios, hesitações, questionamentos em relação aos fatos e às fontes, em vez de dissimular tudo numa nuvem de objetividade falsa que é a base dessa estrutura de jornalismo velha, caquética, que ninguém mais agüenta ler.
Vc concorda coma a opinião de William Faulkner de que a melhor ficção é muito mais verdadeira que qualquer tipo de jornalismo?
Sim. Por isso que agora meu trabalho é escrever ficção. Jornalismo - tirando as minhas matérias pro NoMínimo.com.br, que me dá liberdade - é emprego. A menos que aparecesse um veículo muito fudido, de mentalidade aberta, uma outra revista Realidade como era antes de 1968. Já me decepcionei muito com vários projetos. Não dá pra ficar esperando que apareça um veículo assim, a vinda do Messias.
Hunter Thompson alegava que só conseguia ir fundo em suas matérias loucas, sob forte efeito de drogas que segundo ele o ajudavam a manter a sanidade. Com você ocorre o mesmo? ou você encara as matérias loucas que faz de cara limpa?
Essa história é uma das características do jornalismo gonzo capazes de servir de exemplo e mostrar como é ridículo tentar seguir aquilo como método.
O uso que Hunter Thompson fez das drogas e a abordagem dele sobre drogas em sua obra é um produto típico dos anos 60 e 70. Isso o filme do Terry Gilliam pegou muito bem na cena do banheiro da boate/bar, em que Johnny Depp/Hunter comenta sobre a "onda":
"There was a fantastic universal sense that whatever we were doing was right, that we were winning. And that, I think, was the handle - that sense of inevitable victory over the forces of Old and Evil. Not in any mean or military sense; we didn't need that. Our energy would simply prevail. There was no point in fighting - on our side or theirs. We had all the momentum; we were riding the crest of a high and beautiful wave. So now, less than five years later, you can go up on a steep hill in Las Vegas and look West, and with the right kind of eyes you can almost see the high-water mark - the place where the wave finally broke and rolled back."
Hoje acho que a gente deve manter a cabeça acima do nível da água. É uma sorte não pegar uma parada que te foda a capacidade de pensar. Melhor não arriscar muito. Pensa em todas as pessoas realmente idiotas que você conhece. Se você se acha mais articulado, inteligente, interessante que elas, não vai querer correr o risco de estragar isso; devia agradecer. Se você se acha mais burro, mais monótono, não vai se tornar mais interessante se tomar uma parada. [virei reaça, paciência. tempos macabros].
Hunter Thompson tinha personalidade e o lance de encher pote de tudo que era metanol e cia. era parte dessa personalidade mas não quer dizer que geral tenha que fazer a mesma coisa. Se nego começa a imitar isso também, onde é que tá a personalidade, o estilo próprio? E, principalmente, não se come ácido e depois escreve matéria.
Não tem nada mais estupefaciente que ver as fotos de um chá de bebê arruinado numa chacina, a mãe grávida com os pezinhos metidos numas havaianas respingadas de sangue, bandejas de doces cheias de sangue, sangue nas paredes da merda do barraco. E descobrir que quem fez isso foi o BOPE, foi a polícia do Rio de Janeiro. Isso tava no jornal de hoje. Você quer estar fora de órbita quando acontece um negócio desses ou você quer escrever?
Não cabe mais esse tipinho de jornalista drogado. Não a sério. E alguém tem que falar sério, agora, já que é barbárie. Não dá pra seguir modelo de maluquice que era hype (hippie) há 30 anos. Mas não dá também pra escrever lead/sublead tudo quadradão igual a tudo; e não é só a abordagem estética, é o aproveitamento das fontes, é buscar pautas diferentes no meio do caos.
PUNK ZIGANE NO CORAÇÃO
"transglobal debauchery", he says.
"carnaval?"
"get carnal?"
querida, querida, minha sacralíssima querida,
vamos discutir nossa tática:
eu vou estar louco,
e você vai estar possuída.

WE ARE NOWHERE AND IT´S NOW
[bright eyes]
If you hate the taste of wine
Why do you drink it till you're blind?
And if you swear that there's no truth and who cares
How come you say it like you're right?
Why are you scared to dream of God
When it's salvation that you want?
You see stars that clear have been dead for years
But the idea just lives on...
In our wheels that roll around
As we move over the ground
And all day it seems we've been in between
A past and future town
We are nowhere and it's now
We are nowhere and it's now
In like a ten minute dream in the passenger's seat
While the world was flying by
I haven't been gone very long
But it feels like a life time
I've been sleeping so strange at night
Side effects they don't advertise
I've been sleeping so strange
With a head full of pesticide
I've got no plans in too much time
I feel too restless to unwind
I'm always lost in thought as I walk a block
To my favorite neon sign
Where the waitress looks concerned
But she never says a word
Just turns the juke box on and we hum along
And I smile back at her
And my friend comes after work
When the features start to blur
She says these bars are filled with things that kill
By now you probably should have learned
Did you forget that yellow bird?
How could you forget your yellow bird?
She took a small silver wreath and pinned it onto me
She said this one will bring you love
And I don't know if it's true
But I keep it for good luck