MÉTODOS DE PARK SLOPE, BROOKLYN
[o de fora e o de dentro]
MORADOR #1
[didn't compose his new novel in this office, or in any office at all // poet-wanderer /////// does his writing all over town, in public libraries, in coffee shops and even in the homes of friends. the process of writing has traditionally been romanticized by its creators as an act of self-imposed isolation //// all of this prompts the question of why he needs an office in the first place. ''I need an office,'' he explained, a bit enigmatically, ''so I can have a place where I don't write.'']
MORADOR #2
"Only a person who really felt compelled to do it would shut himself up in a room every day," he says. "When I think about the alternatives - how beautiful life can be, how interesting - I think it's a crazy way to live your life."
A AGENDA DO PRESIDENTE
[meia-noite no jardim do bem e do mal] Duas pautas gift-wraped pra mim pelo Fakir, envolvendo homens que amam fuscas + uma cigarra sobrevivente [verões infernais, você sabe].
[saussure/seesaw] Tentando ressuscitar pensamentos impuros necessários pra wrap things up. Certas coisas a gente escreve noutro idioma porque a língua trava de vergonha se reconhece o significado. Aos trancos e barrancos escrevo como posso porque funcionou sempre assim.
[o sr. pode me arranjar um pedaço médio de papel de embrulho ou dois guardanapos não muito finos?] qual dos dois? o papel de embrulho seria melhor. e um chope? e um chope. caneta? tenho aqui, brigada.
[signed sealed delivered i´m yours] motown é bom e eu gosto. remixada, então, é tipo se sentir bem pra caralho.
ENTENDE?
[de uma entrevista do autor Mil Millington]:
GW: You're still quite active online, what with your mailing list and all. Are you using the internet as a marketing machine?
MM: No, I don't think so. The joy of online is that you can write precisely what you want. A Mailing List is something I write: perhaps something of the same length as a newspaper/magazine piece, but without it having gone through the butchering hands of six copy editors.
GW: Is the Internet a good place for a writer to 'break out'?
MM: No, no, no. Depressingly, the best way to a book deal remains the age-old route of three chapters and a synopsis to an agent. Also, the Web audience is not the book-buying audience.
OFFICE SPACE
"Human beings were not meant to sit in little cubicles staring at computer screens all day" - Peter Gibbons em Office Space, pequeno filme de Mike Judge que, de acordo com os 5% de contingente humano presente em todas os escritórios do mundo, merecia um Oscar. O roteiro, sensivelmente filmado por Judge (criador de Beavis & Butthead), materializa cenas que até então povoavam apenas a imaginação coletiva dos explorados - ou o que sobra dela - como a da destruição de uma impressora num terreno baldio por três nerds armados de um taco de baseball.
links correlacionados: tesão pelo grampeador, comic relief para a galera do suporte técnico, bullshit job: you´re not alone, portal de apoio ao trabalhador, fez um belo tributo ao filme.
the debt collectors keep knocking
SAY ANYTHING
Coisa mais linda, cheia de graça: ele bloga e fala de Hunter.
[look-alikes: mail to this old fart]
O QUE SE ESCREVE SOZINHO
e-pistolar: narrativa feita de scraps, posts, diálogos de msn, emoticons e escrita por um ou mais personagens.
[a coluna no jornal parece um telegrama de autista. taquigráfica, malabarismo pra caber qualquer tapa-buraco. espaço pouco e tema controlado. assim, é melhor que não role. escrevo isso ao patrão.]
[um troço em jornal é certo: fazer outra coisa fora da redação é inaceitável. escrever ficção é igual tu ser pego com a mão no pau de hitler e um sorrisinho no canto da boca. mikhair, me corrija se eu estiver errada, sobre aquela porcentagem de que falávamos no terrível bar devassa do largo do machado há dez anos: a cada dez tópicos de discussão na internet, nove usam hitler como analogia para o pior que a espécie humana pode produzir. pois então. jornalista que faz outra coisa além de escrever em jornal pega no pau de hitler - no auge do nazismo.]
[o pena de aluguel, da cristiane costa (cia. das letras) debate se a redação ainda é o lugar do escritor. vai ver nunca foi. mas só conheci esse agora, o modelo atual, em que ficção equivale à confissão e a coisa toda equivale à bosta. e muita vez não deixa de ser bosta mesmo. mas vou te dizer: trabalho de redatora (sic) é mexer no cesto de cueca suja do povo. lé com cré, jamé. e, se é pra ser assim, prefiro escrever as boçalidades que chamo de ficção, ausência de lé com cré com licença poética.]
PAREM AS PRENSAS
prestes a exterminar todos os frilas
...
[contagem regressiva pra recomeçar a escrever]
[sexta passada saí do jornal e aluguei um filme pra relaxar. não funcionou, por algum motivo.]
filme sobre um jornal falha em criar atmosfera serena após o fechamento
INTERNERD
minha coluna no jornal Q! estreou e já dá pra ler online. btw, não é sobre livros, nem sobre música, nem sobre as coisas que costumo escrever sempre. não por opção, é claro. it´s just work.
VILLAGE VOICE
Não podia deixar de mencionar. Soon I was immersed in a "newspaper culture" I'd never experienced before. Many of the "assignments" were self-propelled, and the writing had to be in your own voice if you could find it. (This came to be known later as "personal journalism.")
INFERNINHOS DE JESUS
Ainda sei escrever matéria. Acho. O João Pequeno disconcorda, ele diz que eu só aprendi recentemente [e que talvez tenha perdido o jeito ao me dedicar às literatices]. Mas essa reportagem aí vale ler pelo inusitado da coisa: eu numa naite sem cerveja. As fotos também são minhas.
B-boys customizam suas roupas com o nome do Ídolo
Fileiras de dançarinos a la 'Footlose' formam-se no meio da Igreja
e da fumaça do gelo seco
[sabe quando levam 40 minutos pra lhe arrancar um dente daqueles grandes e ficam aplicando injeções de anestesia durante todo o "processo" e cada vez que você consegue abrir os olhos você enxerga gotas do seu sangue respingadas na máscara da VACA com a broca partindo seu dente em mil pedacinhos por fora antes de arrancar a parte que está lááááá dentro pela raiz e você ouvir créque créque várias vezes quando ela gira o que resta do dente com um alicate grande demais pra caber dentro da sua boca?, pois então. ela consegue enquanto cantarola junto com a versão instrumental de my love do paul mccartney que tá rolando e você vai pra casa e passa o resto do dia dopado e cuspindo sangue na pia e a boa notícia é que vai ficar dopado durante os próximos sete dias porque vai ter que tomar todos esses remédios que a VACA passou, que custam uma nota, dão um puta sono, nada indicado pra quem tem que estar de manhã às 8h no trabalho mas hoje era feriado - ninguém avisou? não precisava ter chegado às 8h, podia ter acordado do meu sono químico às 9h e vindo às 10h, às 8h não tem ninguém aqui além do coitado que veio de são paulo e a quem ninguém avisou também sobre o horário, ah, mas avisaram, via email, às 4h da manhã, pelo menos a mim avisaram, eu apenas não tive a iluminação de acordar às 4h da manhã para ler o recado, e o paulista, coitado, chegou aqui e botou um rádio miserável pra tocar she´s like the wind com patrick swayze, turn around com bonnie tyler, e, como não poderia deixar de ser, my love com paul mccartney em versão instrumental.]