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30.12.05

INSTANTÂNEOS DO RIO EM PROSA E POLAROIDS

No post anterior não expliquei muito sobre o lançamento, organizado por Beatriz Resende e publicado pela Casa da Palavra.

Tem conto meu lá: Rio Literário - Textos em diálogo com flagrantes da cidade captados em polaroids de Bruno Veiga. Vinícius, Clarice Lispector, Ferreira Gullar, Ana Maria Machado, Antônio Callado, Sonia Coutinho, Aldir Blanc, Sérgio Santanna, Sebastião Uchôa Leite, Edilberto Coutinho, Rubem Fonseca, Carlos Drummond de Andrade, Antônio Torres, Antonio Cicero, Armando Freitas Filho, Luiz Alfredo Garcia-Roza, Rubens Figueiredo, Silviano Santiago, Marcílio Moraes, Adriana Lisboa, Cecilia Giannetti, Marcelo Moutinho, Chico Buarque, João Paulo Cuenca, Arthur Dapieve, Pedro Süssekind, Rodrigo Lacerda, Paulo Lins e João Antônio.



escrito às 11:28 AM por giannetti




22.12.05

RIO LITERÁRIO

Folha de S. Paulo - Folhamais!

São Paulo, domingo, 18 de dezembro de 2005
"Ser carioca é antes de mais nada um estado de espírito", define Vinícius de Moraes no primeiro texto deste guia da cidade do Rio de Janeiro, que inclui ainda textos de Aldir Blanc, Carlos Drummond de Andrade, Chico Buarque e outros nomes importantes das letras nacionais. Organizado pela crítica literária Beatriz Resende, e com fotografias de Bruno Veiga, o guia se propõe a ajudar o leitor a construir seu próprio conhecimento sobre a cidade a partir da escrita de autores consagrados. Ed. Casa da Palavra (tel. 21 2222-3167). 176 págs., R$ 52."


[o lançamento rolou no rio scenarium na terça-feira, mas não consegui logar a tempo. de qualquer maneira, o livro tá aí - ilustradaço com polaroids do bruno veiga. as fotos da ilha são lindas].

escrito às 10:22 AM por giannetti




18.12.05

FIGURANTES

[conto, + 30 Mulheres que estão Fazendo a Nova Literatura, Editora Record]

Ninguém, gente ou imitação de gente, foi como nós porque estávamos mais vivos que todo o mundo. Lembrei dos figurantes de repente. Na época, embora alguns deles acabassem aparecendo todos os dias no St. Paul como baratas indesejáveis, tínhamos a casca protetora da nossa juventude excessiva, da fome pela nossa companhia, da música de duas cordas de guitarra. Agora, como se multiplicaram assim? Quem deixou que se tornassem uma legião, como permitimos que invadissem? Estão aqui, vêm e vão sem dizer nada. E me assusto ainda mais quando são capazes de rir ou olhar para nós com a velha desconfiança que dispensávamos a eles. Como se cumprimentassem um manequim de loja, falam e exigem de mim interesse. Disfarço, improviso uma resposta, finjo ficar feliz com alguma coisa que me contam. Não entendo o que eles dizem, acho que é nada.

escrito às 8:21 PM por giannetti




O ÚLTIMO QUARTO À DIREITA

[conto, Paralelos - 17 Contos da Nova Literatura, Ediouro/Agir]

Todos comendo os restos uns dos outros. Um dia também já raspei prato, sei como é, conheço o barulho das engrenagens roucas e as traças de pele que as consomem infinitamente, escuto o estômago oco impelindo à mútua devoração e vão pra rua se apaixonar, tocar em minúsculos pontos carnes diferentes, roer o que já está puído. Sabor nostálgico de nada.

escrito às 8:13 PM por giannetti




ILHA DEBAIXO DA TERRA

[conto, Prosas Cariocas, editora Casa da Palavra]

Reapareceu na calçada em frente ao bar dando passinhos curtos. Tinhas as mãos dentro dos bolsos do casaco italiano de brechó, que usava mesmo no verão, sempre por cima de um vestido de velha. Detestava os braços finos, compridos. Usava tênis, estavam desamarrados. Sua pele da cor de um trapo velho. Não queria cigarro. Segurou a minha mão e riu sem abrir os lábios, um risco fino acima do queixo. Chama um táxi?, disse quase sem abrir a boca. Dormiu no carro até chegarmos. Falou outra vez na entrada da casa. "Só assim preu ver esse fim de mundo."

escrito às 8:13 PM por giannetti




INSETO

[conto, Dentro de um Livro, Casa da Palavra]

"Beijar o gato entre as orelhas é uma forma de solidão. Lavar a louça às três da manhã, apreciar muito a própria letra, ouvir a brasa comer o papel do fumo no silêncio. Acreditar nas estrelas que passam com mais pressa. Deitar sozinho. Às vezes deitar acompanhado também. Ter um casaco de lã cinza-escuro que não lava há dois invernos. Acompanhar um seriado (americano). Achar-se inadequado e esquecido ou achar-se bom demais pros outros. Possuir nesse vasto mundo apenas um cabideiro. Beber destilado em copo plástico, esquecer o aniversário da amiga. Ver televisão com fantasma, ouvir rádio desligado da tomada. Conversar em fila, falar alemão, detestar turista, abrir mão de. Viciar em remédio pro nariz, ganhar na loto, guardar papel de presente, saber cerzir, não ser fascinado pela tecnologia, amar gadgets que não sabe usar. Não amar ninguém. Telefonar a cobrar de um orelhão na chuva pra outra cidade, chamar o garçom pelo nome e ser chamado pelo nome por ele. Concordar que o rock morreu. Escrever sem expectativa, confiar no conselho da manicure, escrever cartas, não enviar cartas. Às vezes mesmo enviá-las é uma forma de solidão. Sentar na segunda fila no cinema, botar bebedouro pra passarinho na janela. Dormir com a caneta na mão."

escrito às 8:13 PM por giannetti




MÉTODO FELICIANI DE CONSERVAÇÃO DO NÚCLEO FAMILIAR

[conto, Revista Ácaro]

Minha avó deu café na mamadeira a todos os filhos e netos. Dizia que faz a criança ficar atenta, esperta. Ela nunca soube distinguir esperteza de excitação patológica nem toda aquela atenção, que dispersávamos para todos os lados, de esquizofrenia potencial. O conhecimento geral da família sobre nossa fixação por café e o vício negro imposto às gerações que se seguiram à da vó impedem que minha taquicardia e distúrbios nervosos mais graves inspirem os cuidados de parentes que pudessem interferir com o meu desejo crônico e constante de não ter ninguém por perto. É comum relacionarem nossas crises à falta ou excesso de café. Antes de se despencarem de barca, ônibus ou van desde o subúrbio até a minha toca no Alto Leblon, têm seu ímpeto detido por um pensamento: ¿É só a cafeína¿. A explicação que corre na família pra mania de café faz sentido demais, por um lado, pra ter sido inventada por eles, e por outro, é surreal na medida da sua loucura. De qualquer jeito, nos pertence.

escrito às 8:13 PM por giannetti




15.12.05

FANTASMAS DO NATAL

"Assim você não tá escrevendo um romance, tá escrevendo vários sem terminar nenhum e jogando tudo fora."

[estatísticas da sinceridade genial: com 2 caipirinhas no estômago às 16h, me conhece há dez anos e um mês e trabalha ao meu lado 8 horas por dia. 90% do que vai pro meu lixo não é lixo mas eu não posso mais decidir isso sozinha.]

[à noite encontrei outro um fantasma do Natal. prometeu ler. vou anexar agora num e-mail, desta vez sem cortar mais nada antes de enviar.]

escrito às 4:45 PM por giannetti




13.12.05

INFÂNCIA

Atendi telefone duas vezes na última semana: nas duas, noite e do outro lado pessoas com quem nos últimos 20 anos falei quase nada [distância: tempo e espaço]. A que ligou ontem comprou um dos livros de contos que tem coisa minha e disse que identificava alguém no Último quarto à direita. Difícil convencer de que não pode acertar todas alguém que te viu de roupa de colégio. Mas só quem conhece bem acusa com autoridade. Era ele, não era ele, era, não era, aquelezinho assim que fazia isso e isso, desse jeito se arranca confissão de inocente.

escrito às 11:21 AM por giannetti




12.12.05

AVANÇO E RECUO

tô mas não tô [desculpa se não respondo e-mail - quase nenhum - mando de casa postais da volta ao mundo.]

escrito às 8:10 PM por giannetti




8.12.05

PIZA E PIZZA

Essas eram as duas únicas palavras em italiano que eu era capaz de pronunciar e entender [acho que carcamano não é italiani... opa, três palavras]. E sei assobiar o tema do Poderoso Chefão. Com todo esse vasto conhecimento da língua de meus avós, recebi a versão de um conto meu, que vai sair pela Nuova Frontiera, na Itália: Metodo Feliciani per la Conservazione del Nucleo Familiare. Talvez ajude a ampliar meu vocabulário. Ainda não compreendi bem, na primeira leitura, o que muda e o que permanece do meu texto original. Mas parece bom.

A tradução é da mesma organizadora da antologia Sex ´n´ Bossa, que levou à Itália vinte escritores como o Noll, e outros de nova geração, como o Terron. Uma parte do conto fala da família numerosa de um músico da noite que vivia na Ilha do Governador em 1949. Estranha coincidência a tradutora ser justamente uma italiana que morou naquele local, entre 1975 e 1979, conforme me contou por e-mail.

escrito às 11:39 PM por giannetti




WHAT IF

[publicado pelo Q!]

O que Lennon faria, diria e cantaria hoje, caso tivesse escapado dos quatro tiros disparados pelo lunático Mark Chapman há exatos 25 anos? Se "Imagine", gravada em 1971, ainda é capaz de desarmar alguns cínicos, é difícil saber se o ex-Beatle teria reserva de utopia suficiente para escrever outro hino pacifista com essa força em 2005.

Dá para imaginar que sua persona sarcástica talvez dominasse a do militante da paz. Duas décadas e meia a mais de vida poderiam ter transformado Lennon em um observador desiludido, resmungando contra o jeito como as coisas degringolaram. Ou continuaria a gritar contra a ordem mundial da verba e da guerra, como um profeta maluco de rua, com um cartaz de protesto pendurado no pescoço.

Será que ele ainda traria à tira-colo a vencedora do Troféu Taquara Rachada de Desafinação, Yoko Ono? O posto de desafeto número 1 dos Beatles e de seus fãs ela só perde mesmo para Chapman. Se Paul tivesse morrido em seu lugar, será que John alternaria a ordem dos nomes em suas canções para McCartney/Lennon, em homenagem ao amigo - ao contrário da mesquinharia de Paul, que exigiu que seu sobrenome passasse a vir antes do parceiro morto? Melhor que especular é ficar com a obra de Lennon, tão rica em sonhos quanto em lições pé-no-chão como "A vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo outros planos".

escrito às 8:05 PM por giannetti




6.12.05

FAVOR NÃO EXORCIZE SEU CORAÇÃO CONTRA MIM, BRIGADÚ

Dia começa às quatro da manhã. O despertador berra às cinco e meia, eu e todas funções ativadas no jornal às sete, organismo me ejeta da cama uma hora e meia antes. Tem feito isso com freqüência, garante abundantes quatro horas diárias de sono, não durmo antes de meia-noite. Depois não sabe por que é tão sacaneado [o que veio antes, o ovo ou a galinha?, etc.]



[sair do jornal às 15h sem almoço, pegar 14 estações de metrô, tomar táxi pra chegar no lugar onde => frila. entrar em casa às 20h, abrir uma Petra, ligar rádio de doo wop da AOL, "como tornar digerível pro tal do leitor médio o que ouvi?" - ninguém nunca viu esse filho-da-puta, o leitor médio, que não lê isso, não lê aquilo, só compra o que não ofende... deve ser infodível. - tarde em ponto de táxi com motoristas extremamente gentis: contaram tudo].

Por isso hoje-não-show Starving Bluesmen Quartet nem aquela música que ninguém etc. Tenho saudade e tenho que trabalhar. É uma combinação terrível.

E, mesmo assim, quem é de casa há de gostar: conseguindo escrever o que quero [não só o que devo].

escrito às 7:53 PM por giannetti




5.12.05


escrito às 1:03 PM por giannetti




3.12.05

VOA CANARINHO VOA

Quem não conseguiu comprar o jornal [é uma espécie de gincana urbana, vocês sabem] pode ler meu texto da semana no site. Desta vez consegui dois mil toques e joguei os outros seis mil restantes pra web. E trocaram a ilustração do Chiquinho por uma foto. Imagino que meu rosto esteja no chão de algumas gaiolas de passarinho pela cidade a essa altura.

escrito às 8:21 PM por giannetti




GROSSA, PARANÓICA, ANTI-SOCIAL E COM UM GRANDE CORAÇÃO

Gestado por laxante mental, está saindo. Se vão achar cheiroso ou não, pouco importa.

escrito às 12:45 PM por giannetti





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